O urgente «descofinamento»
A coisa vem-se agravando de ano para ano. Promovendo o ódio e o medo ao serviço dos mais escuros interesses.
Nalguns casos, os objectivos são evidentes: quando apontam o dedo aos «privilegiados» do rendimento mínimo escondem da vista os verdadeiros privilegiados, os que mamam aos milhões de forma já tornada legal ou que ainda necessita de pré-lavagem; quando destacam o diferente em alguns criminosos (seja cor, etnia, nacionalidade) e omitem esses mesmos elementos do criminoso naturalmente mais vulgar em Portugal (“branco” e português) assim contribuindo para a construção de um discurso racista e xenófobo.
Noutros casos os objectivos são mais difíceis de identificar, como quando exploram até à exaustão dramas reais, criando uma falsa percepção da realidade (uma pessoa «cofinada» sente que vive num país 100 vezes mais violento que aquele em que vive realmente) e promovendo respostas irracionais assentes no ódio e na vingança, exigindo, por exemplo, a pena de morte de cada vez que um criança morre (como se não morressem assassinadas 10 vezes mais crianças nos países onde existe a pena de morte, sendo que num deles, os EUA, até já reconheceram ter assassinado crianças inocentes através da pena de morte).
Mas o que é comum ao processo de «cofinamento» é a tentativa de nos confinar, de nos isolar, de quebrar os laços sociais que tendemos a criar. O que esta gente quer é que vejamos o inimigo, ou o potencial inimigo, nos nossos colegas, nos nossos vizinhos, nos que vivem e trabalham neste país. Porquê? Porque confinados seremos mais facilmente manipulados e explorados. Porque confinados não criaremos a força necessária para acabar com a exploração.
Agora que se fala tanto em confinamento, por força da pandemia de COVID-19, importa ter bem presente esta diferença entre o necessário e conjuntural confinamento por razões sanitárias e este processo de «cofinamento» que de muito antes vinha sendo promovido pelos meios de formatação ideológica, com o grupo Cofina e o seu CM como expoentes.