Trump suspendeu contribuição financeira dos EUA para a OMS
100 DIAS Quando passam 100 dias desde a notificação dos primeiros casos de COVID-19, o responsável da Organização Mundial de Saúde (OMS) garante que aquela entidade tem trabalhado com equidade, objectividade e neutralidade.
Acusando a China e a OMS, Trump tenta encobrir a sua resposta falhada à COVID-19
Reflectindo sobre o impacto e significado da pandemia de COVID-19, depois do surgimento dos primeiros contagiados com o novo coronavírus SARS-Cov-2, o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, intervindo em Genebra, a 9 de Abril, chamou a atenção para a dramática mudança do mundo em tão pouco tempo.
O médico etíope, representante máximo do organismo internacional de saúde, precisou que nestes 100 dias o compromisso inquebrantável da OMS foi servir todas as pessoas do mundo com equidade, objectividade e neutralidade.
Lembrou que a 1 de Janeiro, depois de notificados os primeiros casos, a OMS activou a sua Equipa de Apoio para a Gestão de Incidentes e, no dia 5, notificou oficialmente todos os Estados-membros deste novo surto e desde então tem trabalhado duramente.
A partir desse momento, lembrou, a OMS assegurou o fornecimento de equipamentos médicos essenciais para os profissionais de saúde na primeira linha contra a COVID-19 com o envio de mais de dois milhões de artigos para 133 países. Precisou que a OMS entregou mais de um milhão de testes de diagnóstico a 126 países, em todas as regiões – fornecimento que prossegue por ser insuficiente –, além de colaborar na capacitação e preparação de pessoal médico e sanitário para enfrentar a letal enfermidade.
A isso somam-se os esforços para coordenar investigações para encontrar medicamentos e vacinas que combatam o novo coronavírus, assim como para lançar o projecto Solidariedade, no qual mais de 90 países trabalham juntos para encontrar terapias eficazes o mais rapidamente possível. Adicionalmente, a OMS, para compreender melhor a transmissão, epidemiologia e características clínicas do vírus, elaborou protocolos de investigação que se utilizam em mais de 40 países.
As palavras de Tedros Ghebreyesus surgem pouco depois do presidente dos Estados Unidos ter ameaçado suspender a contribuição financeira do seu país à OMS.
Na sua conta do Twitter e num encontro com jornalistas, na Casa Branca, Donald Trump acusou a OMS de «estar muito centrada na China» e de ter emitido más recomendações sobre o enfrentamento da COVID-19, como por exemplo a de manter as fronteiras abertas enquanto o coronavírus se propagava por todo o mundo.
O presidente norte-americano lembrou que a OMS «recebe grandes quantidades de dinheiro» de Washington, sendo um organismo financiado na maior parte pelos EUA. E insistiu que a OMS «equivocou-se em muitas coisas» na luta contra a pandemia, não fornecendo informações no início do surto, quando deveria ter tomado medidas «meses antes» – acusações sem fundamento.
China responde
a acusações dos EUA
Críticas à OMS constituem o novo «bode expiatório» dos EUA para encobrir a sua resposta falhada à pandemia de COVID-19, afirmam meios de imprensa em Pequim.
Em editorial, o Global Times escreveu, na edição do dia 9, que com os ataques à OMS, agência das Nações Unidas, e as ameaças de lhe cortar o financiamento, Donald Trump procura desviar a atenção dos problemas surgidos no seu país por não dar ouvidos às advertências sobre a seriedade do problema.
Sob as recomendações da OMS, realça o jornal, muitos países enfrentam a pandemia com melhores resultados, enquanto nos EUA a situação é caótica.
Rejeitando as acusações à OMS por apoiar medidas adoptadas pela China como a quarentena à cidade de Wuhan, o Global Times considera-as «carregadas de preconceitos ideológicos». Em seu entender, primeiro as acusações contra a China e agora contra a OMS reflectem a necessidade imperiosa da Casa Branca de apagar todo o rasto da sua ineficiência, ainda que o presidente Trump soubesse desde Janeiro os perigos e os custos económicos da crise sanitária.