África: exemplos de solidariedade

Carlos Lopes Pereira

Em África, em 52 países, foram registados, até terça-feira, 14, mais de 15 mil casos de COVID-19, com 816 mortos e 2895 doentes recuperados depois da infecção, segundo o Centro de Controlo de Doenças (CDC), organismo ligado à União Africana (UA). Só Lesoto, Comores e Saara Ocidental não reportaram ainda casos da doença.

Apesar dos esforços da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos governos nacionais, há especialistas que receiam um rápido alastrar da pandemia no continente africano, devido aos frágeis sistemas de saúde pública, aos conflitos armados, a doenças e pragas, tudo isso podendo potenciar crises económicas e políticas.

Daí a importância dos gestos solidários de organismos internacionais e de países amigos da África, que mesmo nas mais complexas situações dão o seu contributo desinteressado na luta contra a pandemia.

Por exemplo, de Adis Abeba partiu há dias o primeiro voo de solidariedade para distribuir material médico pelo continente, numa iniciativa conjunta da UA, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e da OMS.

«O voo de solidariedade é parte de um grande esforço para enviar material médico vital para 95 países», explicou o director-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus. O médico agradeceu à UA, aos governos dos Emiratos Árabes Unidos e da Etiópia, à Fundação Jack Ma e a outros parceiros «a solidariedade com os países africanos neste momento crítico da História». O avião transporta equipamentos médicos proporcionados pela OMS e outro material sanitário doado pelo primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, e pela Fundação Jack Ma.

A OMS espera que os equipamentos de protecção individual, entre os quais um milhão de máscaras, sejam suficientes para o pessoal médico africano na primeira linha do combate contra a pandemia.

Outro exemplo vem da China.

A par do duro combate à pandemia no seu território, o governo chinês enviou ajuda de emergência aos africanos, fornecendo à UA e aos Estados, através de vários canais, artigos e equipamentos médicos de urgência.

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, e o presidente da Comissão da UA, Moussa Mahamat, conversaram e comprometeram-se a reforçar a coordenação para responder ao desafio comum da COVID-19. A China continuará a fornecer materiais de que a África necessita, partilhará a sua experiência anti-pandémica, enviará peritos médicos e reforçará a cooperação com a África no sector da saúde pública.

E há, claro, o exemplo, mais um, de Cuba.

Chegou a Luanda um contingente cubano de mais de 250 profissionais de saúde, na sua maioria médicos, para auxiliar o povo angolano, em todo o território, juntando-se à luta para evitar a propagação da pandemia. A prioridade é prevenir, prestar assistência médica, salvar vidas, resumiu o governo de Havana.

Apesar do longo bloqueio do imperialismo estado-unidense contra Cuba, do constante incremento das sanções unilaterais e ilegais impostas por Washington a Havana – que impedem até a entrada de medicamentos e material médico para combater a pandemia –, os cubanos não deixam de prestar ajuda fraterna e solidária a quem dela carece, por todo o mundo, da Venezuela e Nicarágua a Itália e a Angola.

E os povos confirmam que Cuba não oferece o que lhe sobra, reparte o que tem.



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