Nem um direito a menos!
«Vai para casa e depois logo se vê», «os seus serviços são dispensados», «mete férias, temos que ser uns para os outros», «isto está tudo assim, queres o quê?», «nas férias da Páscoa também tinhas solução para os putos», «temos que aproveitar agora, toda a gente precisa dos nossos serviços», «vais para casa, mas é para estar on-line 8 horas e sexta-feira entregas o trabalho», «tem paciência, tens que fazer o horário duplo», «e contenta-te com o que estiver na conta no fim do mês», «um metro de distância? que mariquice!», «todos os temporários devem medir a temperatura corporal antes de entrar ao serviço», «qual é a parte de isto é uma guerra que tu ainda não percebeste?».
Por todo o lado, estas frases ouvem-se nas empresas e nos locais de trabalho e transformam-se em duras realidades na vida de trabalhadores de todos os sectores. Tudo envolto na incerteza do dia de amanhã, no medo de uma doença desconhecida, no isolamento. Mesmo em empresas onde o nível de lucros acumulados ao longo de décadas não deixa nenhum crédito à ideia de que - coitadinhos!, estamos todos no mesmo barco - nem uma semana de estado de emergência aguentam.
Não tem que ser assim, não pode ser assim. A resposta à epidemia não está na lei da selva, no salve-se quem puder, na exploração. Não se ataca esta doença com uma população empobrecida, assustada e isolada. Resolve-se com mais direitos, não com menos. Garantindo salários e rendimentos, serviços públicos próximos e de qualidade, cuidando dos sectores mais frágeis da população. Com investimento público e intervenção do Estado para não admitir abusos, açambarcamentos e aproveitamentos, ilegalidades de toda a ordem nas empresas e nos locais de trabalho.
Não, não estamos sozinhos nisto. Os sindicatos continuam a funcionar, à distância do delegado sindical, de um telefonema ou de um e-mail. O PCP, que nunca faltou onde houve um problema e uma luta, está onde sempre esteve: ao lado dos trabalhadores e do povo, a funcionar, a organizar a denúncia e a resistência às injustiças, a defender a saúde e os direitos. Nem um direito a menos!