Washington e terroristas contra cessar-fogo em Idlib

SÍRIA Rússia e Turquia chegaram a acordo para travar a escalada da guerra na província síria de Idlib. Grupos terroristas já violam cessar-fogo e os EUA vetaram na ONU o apoio aos esforços de paz.

EUA continuam a reforçar presença na Síria e a saquear petróleo

Os presidentes da Rússia, Vladímir Putin, e da Turquia, Recep Erdogan, acordaram em Moscovo, no dia 5, um cessar-fogo na província síria de Idlib, para evitar a escalada ainda maior da situação militar, provocada pela agressão à Síria pela Turquia e grupos terroristas apoiados por Ankara e pelo Ocidente.

Na cimeira em Moscovo, as duas partes chegaram a acordo sobre um cessar-fogo em Idlib, que entrou em vigor no dia 6; sobre um corredor de segurança de seis quilómetros de largura a sul e outros seis a norte da auto-estrada M4, que liga Alepo à província costeira de Latakia; e sobre patrulhas conjuntas turco-russas ao longo dessa via, a partir do dia 15.

Observadores na capital russa consideram que, a curto prazo, os resultados da cimeira russo-turca diminuem a ameaça de uma guerra aberta entre Damasco e Ankara, na qual a Rússia poderia ser envolvida. A troco de combater os terroristas na Síria, a Turquia vai gerir uma zona no norte de Idlib, na qual lidará com os refugiados sírios. O cessar-fogo implica que o exército sírio não continuará a ofensiva contra grupos apoiados por Ankara. Quanto a Damasco, mantém o controlo sobre os territórios libertados na última ofensiva, incluindo a estratégica auto-estrada M5, entre a capital e a segunda cidade mais povoada, Alepo. Outra via principal, a M4, será agora patrulhada por forças russas e turcas, o que perspectiva a sua reabertura.

Em Damasco, sobre a cimeira de Moscovo, a assessora dos assuntos políticos da presidência síria, Bouzeina Shaban, disse que a Rússia demonstrou ser um aliado fiável. A relação entre a Síria e a Rússia, realçou, baseia-se na absoluta confiança e na coordenação constante, tendo Moscovo demonstrado, ao longo da luta contra o terrorismo, ser um aliado verdadeiro, que cumpre o que diz.

Apesar destes entendimentos, o acordo alcançado na cimeira de Moscovo não garante uma resolução pacífica do conflito, ao não abordar os instrumentos da intervenção imperialista em território sírio como os grupos terroristas, incluindo a Junta para Salvação do Levante, a antiga Frente al-Nusra, e outros, apoiados pela Turquia, EUA e aliados ocidentais e árabes, todos eles fautores da guerra de agressão à Síria, desde há nove anos.

EUA e terroristas
sabotam cessar-fogo

Em Nova Iorque, o Conselho de Segurança das Nações Unidas, face ao veto imposto pelos EUA, não conseguiu aprovar uma declaração de apoio aos acordos alcançados entre a Rússia e a Turquia, anunciaram no sábado, 7, diversos meios de imprensa em Damasco.

No terreno, grupos terroristas violaram o cessar-fogo na província de Idlib e atacaram em 19 ocasiões, em 24 horas, os povoados de Hezarin e Al Dar al-Kabirah, no sul da região – foi anunciado no sábado, 8, tanto pelo Centro Russo de Reconciliação, localizado na vizinha província de Latakia, como por fontes sírias em Damasco.

A essas violações, a que o exército sírio respondeu, juntam-se outras seis em áreas das províncias de Alepo e Latakia, com o lançamento de pelo menos dois drones, derrubados pela defesa anti-aéra síria.

Por outro lado, 10 camiões norte-americanos entraram na Síria, procedentes do Iraque, através do posto fronteiriço ilegal de Al-Walid, e dirigiram-se para o aeroporto de Khrabat Al-Jeer, uma base ocupada pelos EUA na localidade de Malkieh, jurisdição de Qamishli, na província nortenha de Hasaka.

A agência síria SANA indicou que militares norte-americanos utilizam áreas fronteiriças com o Iraque nessa zona, a 860 quilómetros a norte de Damasco, para reforçar a sua presença na região de Al-Jazeera (a leste do rio Eufrates) e continuar a saquear o petróleo e outros recursos naturais da Síria.




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