FARC denuncia ameaças contra paz na Colômbia
O partido colombiano Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC) denunciou na segunda-feira, 9, as intenções do governo de desmantelar o Acordo de Paz negociado em Havana e assinado em 2016 pelo Estado colombiano e a ex-guerrilha FARC-EP.
«No que concerne à implementação do acordo, reafirmamos a nossa análise com base não só nos incumprimentos por parte do presidente [Iván] Duque mas também nas suas reiteradas pretensões de desmontar ou distorcer o acordado, as quais são disfarçadas mediante uma estratégia de simulação», afirmou o partido.
«O caminho da perfídia é o escolhido pelo actual governo» mas, em contrapartida, «também cresce o apoio social ao acordo por parte de processos tão importantes como o movimento Defendamos a Paz», realçou.
A FARC destacou o seu assumido compromisso com a implementação do acordo e a reincorporação por parte dos governos locais, bem como «o papel relevante da comunidade internacional, que reconfirma a sua importância central no processo de implementação» do Acordo de Paz.
Nos dias 6 e 7, a FARC realizou no município de Tocaima, no centro do país, o plenário do Conselho Nacional de Comuns, com a participação de 66 dos seus membros, que viajaram de diferentes pontos da Colômbia.
O partido ratificou o compromisso pela «paz completa, estável e duradoura» para a Colômbia. Mas alertou para o acentuar da política de direita do governo de Duque, que, dada a sua manifesta debilidade e incompetência, podem fazê-lo ainda mais agressivo e levá-lo «à tentação autoritária».
A FARC insiste que a actual situação de violência política na Colômbia expressa-se «num verdadeiro banho de sangue, persistente, sistemático, contra líderes políticos homens e mulheres, líderes sociais defensores e defensoras dos direitos humanos, ex-guerrilheiros e ex-guerrilheiras».