Síria: a valiosa resistência de um povo

Pedro Guerreiro (Membro do Secretariado)

Em Março, a guerra de agressão contra a Síria perfaz nove anos. Uma guerra desencadeada a coberto das denominadas «primaveras árabes», que abririam, igualmente, o caminho à agressão directa da NATO contra a Líbia e à destruição e fragmentação deste país.

O facto de a Síria e de o seu povo terem não só resistido como enfrentado e imposto derrotas à brutal operação de subversão e agressão, levada a cabo pelos EUA e outros países membros da NATO, como o Reino Unido, a França ou a Turquia, com o activo apoio de países do Golfo Pérsico e de Israel – que ocupa ilegalmente os Montes Golã sírios desde 1967 –, assume um enorme significado e importância, que não pode deixar de ser valorizado.

Seguindo a cartilha da guerra, fomentando a estigmatização política, aplicando o bloqueio económico, arremessando com as suas hordas terroristas – portadoras do mais reaccionário obscurantismo e violência fascista e responsáveis pelos mais hediondos crimes contra o povo sírio – e engendrando os mais variados e falsos pretextos para agredir a Síria, os EUA e seus cúmplices contavam destruir este país, controlar o seu território e colocar a saque os seus recursos.

Saliente-se que, depois de derrotada a estratégia de destruição do Estado sírio a partir da acção dos grupos terroristas – criados, financiados, treinados, armados e protegidos desde o exterior –, coube aos EUA, ao Reino Unido, à França, assim como à Turquia, intervir e ocupar militarmente e ilegalmente território da Síria, tentando impor a sua fragmentação de facto.

Apesar de lhe terem sido impostas importantes derrotas, o imperialismo dá mostras de não querer abandonar os seus intentos, tentando obstaculizar o avanço na libertação de populações e no caminho do diálogo com vista a uma solução política, que só ao povo sírio, livre de ingerências externas, cabe encontrar.

Também na agressão à Síria, aqueles que sempre estiveram do lado da guerra, voltam cinicamente a apresentar os agressores como «agredidos», os algozes como «vítimas», os grupos armados que espalham o horror como «rebeldes», os verdadeiros responsáveis pelo drama humanitário na Síria como «filantropos».

Face aos arautos da guerra, aqueles que defendem a paz, a soberania e os direitos dos povos não podem confundir a acção agressiva dos EUA e seus acólitos com a legítima resistência da Síria e a postura de países que, agindo no respeito do direito internacional, apoiam a luta da Síria e do seu povo.

A exigência que está colocada a todos os que defendem os direitos do povo sírio e a paz é a firme denúncia das campanhas que suportam as acções de agressão levadas a cabo pelos EUA e seus comparsas e não a vergonhosa associação ou a conivência com estas.

À custa de enormes sacrifícios, a firme resistência das forças patrióticas da Síria, com o importante apoio dos seus aliados, e o contributo da solidariedade das forças da paz e anti-imperialistas do mundo, tem colocado o imperialismo em recuo.

A vitória do povo sírio em defesa da soberania, independência e unidade e integridade territorial da República Árabe Síria – com o seu posicionamento multicultural, pan-árabe e anti-imperialista – e a derrota da agressão do imperialismo é da maior importância para todos quantos no mundo defendem os valores da paz e o direito internacional.

Portugal, no respeito pela Constituição da República, deve pugnar pelo fim da agressão à Síria e agir em prol da paz.

Como há nove anos, rejeitando a mentira, impõe-se a expressão da condenação da agressão dos EUA e seus cúmplices à Síria e a solidariedade com a resistência do seu povo.




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