EUA ameaçam Rússia com sanções pela sua cooperação com Venezuela
REFORÇO A Rússia rejeitou as ameaças de novas sanções dos Estados Unidos contra o país por apoiar legalmente o governo constitucional venezuelano. Moscovo e Caracas vão reforçar a cooperação.
Serguei Lavrov reafirmou em Caracas apoio russo à Venezuela
As ameaças de Washington de mais sanções contra Moscovo constituem apenas uma tentativa de estimular as forças anti-governamentais venezuelanas, por causa da baixa popularidade do deputado opositor Juan Guaidó, auto-proclamado presidente «interino», afirmou o secretário do Conselho Nacional de Segurança russo, Nikolai Partrushev.
Além disso, denunciou, a Casa Branca tenta impor na Venezuela a sua vontade mediante o engano, a força e contrariando a vontade popular. O apelo ao derrube de governos da América Latina com políticas «incómodas» é algo que desde há tempos caracteriza a política dos EUA, disse. «Mas também sabemos que essa política conduz ao caos em regiões inteiras, à guerra e à desintegração dos estados», considerou o responsável russo.
As declarações de Nikolai Partrushev respondem a ameaças de Elliot Abrams, o chamado encarregado dos assuntos da Venezuela na Casa Branca, de impor sanções à Rússia pelo seu apoio ao legítimo governo do presidente Nicolás Maduro.
Seguiram-se a afirmações de Robert O’Brien, conselheiro de Segurança Nacional do presidente norte-americano, sobre a preparação de medidas punitivas contra a companhia petrolífera russa Rosneft, se esta prosseguir a sua colaboração com o governo venezuelano.
O governo russo rejeitou em reiteradas ocasiões a política hostil e as medidas coercivas unilaterais aplicadas pelos EUA contra o país sul-americano e reiterou a necessidade de a Venezuela resolver os seus problemas internos através de um diálogo inclusivo entre todas as forças importantes venezuelana.
Serguei Lavrov
na América Latina
As ameaças dos funcionários norte-americanos coincidiram com a visita a Caracas, no dia 7, do ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, que foi recebido pelo presidente Maduro e reuniu-se com o seu homólogo venezuelano, Jorge Arreaza, e com a vice-presidente Delcy Rodríguez.
Na sua viagem pela América Latina, Serguei Lavrov esteve antes em Cuba e no México.
Durante os seus encontros em Caracas, Lavrov reafirmou o apoio da Rússia ao governo bolivariano, destacou os laços que unem ambos os países e sublinhou a importância das conversações com sectores da oposição, as quais considerou positivas para se alcançar a estabilidade e a paz no país sul-americano. Exortou as partes a manter o diálogo e questionou as forças oposicionistas que não se juntaram aos esforços conciliadores do Estado, os quais permitiram avanços significativos.
Delcy Rodríguez, por sua parte, confirmou que, no quadro das conversações havidas, chegou-se a acordo sobre a reunião em 2020 da comissão inter-governamental de alto nível entre os dois países, como parte das celebrações do 75.º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a Venezuela e a Rússia. Assegurou que a comissão será um espaço para ratificar e alargar a cooperação económica bilateral e multilateral. «Sem dúvida que durante a Revolução Bolivariana os nossos laços bilaterais e internacionais estreitaram-se mais do que nunca», realçou a vice-presidente executiva venezuelana.
Em 2019, durante a reunião da comissão inter-governamental, foram revistos 264 acordos escritos entre Caracas e Moscovo, em 20 áreas estratégicas. As alianças comerciais entre a Rússia e a Venezuela cresceram 10 por cento no ano passado, com um investimento de mais de quatro mil milhões de dólares.
Caracas e Moscovo mantêm uma estreita aliança bilateral de alcance estratégico, consolidada durante a visita de Estado efectuada por Maduro à Rússia, no ano passado, durante a qual manteve reuniões com o presidente Vladimir Putin sobre diversas questões bilaterais.
Os dois países dinamizam presentemente acordos de cooperação em matérias energética, económica, tecnológica, industrial e militar.