Um ano de Guaidó

Ângelo Alves

O golpista Guaidó está politicamente moribundo no seu país

Há um ano, a 23 de Janeiro, Juan Guaidó autoproclamou-se como «presidente» da Venezuela, um novo patamar na já longa conspiração do imperialismo para vergar a Venezuela bolivariana e retomar o controlo imperialista do país e das suas imensas riquezas. O ano de 2019 demonstrou bem quem é o homem de mão da Administração norte-americana e comprovou o seu carácter golpista, criminoso, corrupto, antipatriótico e fascista, bem como dos seus mandantes.

Guaidó tentou tudo para atingir o objectivo da usurpação do legítimo poder político na Venezuela. Recebeu para isso dezenas, ou mesmo centenas, de milhões de dólares da Administração Trump; foi o rosto da traição nacional ao apelar ao criminoso bloqueio económico e ao roubo descarado de fundos venezuelanos, que está na origem da grave situação económica e social venezuelana; demonstrou o seu carácter conspirativo e antipatriótico protagonizando provocações transmitidas em directo para todo o Mundo – como a célebre encenação da «ajuda humanitária» em Fevereiro de 2019 – que visavam criar o caldo para uma intervenção militar contra o seu próprio povo; confirmou-se como um fora-da-lei levando a cabo tentativas de golpes militares como o de Abril de 2019, que se saldou num estrondoso fracasso, tão ridículo como criminoso, ou sendo desmascarado e tendo visto desmontadas tentativas de assassinato de dirigentes políticos venezuelanos – incluindo o presidente Nicolas Maduro – ou ataques à bomba contra infra-estruturas militares, bairros populares ou edifícios governamentais. A lista poderia continuar e levar-nos-ia a fotografias com paramilitares colombianos na Colômbia ou a escândalos de corrupção e ligações com o narcotráfico.

Mas a maior derrota de Guaidó é política. O cavalo em que Trump apostou para a corrida da «mudança de regime» é hoje, passado um ano, a imagem do fracasso e do completo descrédito, incluindo na própria oposição venezuelana que há poucas semanas optou por o afastar da presidência da Assembleia Nacional, facto ao qual reagiu com mais uma das suas encenações mediáticas e com mais uma autoproclamação consumada na sede de um jornal, com a presença de deputados substitutos.

Na Venezuela, Guaidó está politicamente moribundo. É exactamente por essa razão que optou por sair do país quando passa um ano da sua autoproclamação. As únicas manifestações que se realizaram na Venezuela no dia 23 de Janeiro foram as de apoio à Constituição e ao legítimo governo venezuelano, e isso diz quase tudo.

Isolado no seu país, Guaidó correu para os braços de Pompeo e Ivan Duque na Colômbia, para o regaço do PP e do Vox em Espanha, de Boris Johnson na Grã Bretanha e de Macron em França. Mas não só: além de vários deputados do Grupo dos Socialistas no Parlamento Europeu, que acorreram ao seu consolo, também Josep Borrel, Alto Representante da UE não faltou à chamada, e isso diz tudo sobre a dita «independência» da UE face a Trump e sobre a hipocrisia reinante em Bruxelas no que toca ao tema da extrema-direita, bem como no Governo português, cujo Ministro dos Negócios Estrangeiros se mantém na vanguarda do apoio ao golpismo.




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