Concurso para novos barcos da Transtejo e Soflusa foi ao «fundo»
TRANSPORTES O concurso para aquisição de 10 novos navios para reforçar a frota da Transtejo e Soflusa, anunciado pelo Governo a 15 de Fevereiro, «acabou de ir ao fundo», criticam as comissões de utentes de transportes de Almada, Montijo e Seixal.
O concurso para os navios movidos a gás natural foi anulado
Os utentes dos três concelhos da Margem Sul, com o Movimento de Utentes de Serviços Públicos (MUSP), enviaram, entretanto, uma carta ao primeiro-ministro a perguntar o que pensa fazer para «garantir a manutenção das actuais frotas da Transtejo e da Soflusa, agora que o concurso público para a aquisição de 10 novos barcos foi anulado por decisão governamental» e «foi anunciada a abertura de um novo concurso no início do próximo ano, implicando o atraso de 12 meses na chegada dos primeiros barcos, agora apontada para 2022».
Os utentes querem saber ainda «o que fez o Governo para dotar aquelas empresas de meios para garantir que o serviço público não volte a ser interrompido, nomeadamente quantos trabalhadores foram contratados e que verba foi destinada ao sector da manutenção», tendo em conta que «a frota das duas empresas é composta, na sua grande maioria, por navios com mais de vinte anos de serviço».
Estas questões são colocadas num momento em que os dados mais recentes indicam que o volume de passageiros no transporte fluvial subiu, levando os utentes a recear que as interrupções do serviço possam ter graves impactos na vida de todos aqueles que necessitam diariamente de atravessar o rio Tejo.
Por fim, os utentes exigem «a substituição das coberturas que contém amianto nos cais de embarque de Cacilhas, Barreiro, Trafaria e Porto Brandão».
Frota envelhecida
A anulação do concurso público não foi uma surpresa para o Sindicato dos Transportes Fluviais, Costeiros e da Marinha Mercante, como salientou Carlos Costa, à Lusa. «Já estávamos à espera da anulação. Temos vindo a receber informações por parte da empresa que apontavam para esse sentido», disse, acrescentando que ao nível do serviço público há, assim, um atraso de toda a programação de no mínimo 12 meses».
Carlos Costa espera que a situação nos transportes fluviais «não piore», lembrando que parte da frota está já bastante envelhecida e é «claramente insuficiente para o número de passageiros que os utiliza».