Combatividade e alegria no 40.º aniversário da JCP

LUTA No sábado, 9, centenas de jovens afluíram à capital para celebrar o 40.º aniversário da Juventude Comunista Portuguesa, com um grande desfile e um jantar-comício, que contou com a presença de Jerónimo de Sousa e outros dirigentes do PCP e da JCP.

«Não tenhamos dúvidas: uma JCP mais forte é um PCP reforçado!»

As celebrações começaram ao final da tarde, com um vibrante desfile que partiu por volta das 19 horas do Largo de São Domingos, perto do Rossio, e avançou em força até à Escola Básica e Secundária Gil Vicente, na Graça. As subidas íngremes, calcorreadas durante o percurso, não demoveram os muitos jovens que o percorreram. Jovens estes que no seu dia-a-dia enfrentam e batalham contra obstáculos muito maiores e mais desafiantes, como ficou claro pelas palavras-de-ordem gritadas ao longo do desfile: «Mais, mais, mais, condições materiais!», «Bolsas sim, propinas não!» ou «É justo e necessário o aumento do salário».

O mar de bandeiras vermelhas empunhadas pelos mais de 200 jovens comunistas e amigos desembocou no destino previsto, para o jantar realizado nas instalações da escola. Depois da refeição, confeccionada com a ajuda de militantes comunistas, da JCP e do Partido, deu-se início ao momento político, que começou com a intervenção de Inês Rodrigues, da Comissão Política da Direcção Nacional da JCP.

«Neste momento em que celebramos os 40 anos da JCP vem-nos à memória todas as histórias de luta e resistência de um passado não tão longínquo de tantos jovens, estudantes e trabalhadores», começou por dizer a jovem comunista, fazendo os presentes recordarem que apesar de a JCP celebrar 40 anos, os jovens comunistas organizam-se há muito mais tempo, desde a criação do Partido, em 1921.

São, pois, quase 100 anos de intervenção, ao lado dos jovens, dos trabalhadores e do povo português: durante a Primeira República, durante a opressão fascista, durante Abril, até aos dias de hoje. «Somos a Juventude que carrega o peso da responsabilidade que esta herança de luta e resistência acarreta», afirmou.

Esclarecimento a acção

Antes de descrever os problemas que a juventude portuguesa enfrenta e de enumerar todas as lutas que a JCP trava e tem travado nos últimos anos, Inês Rodrigues deixou alguns alertas aos que a ouviam: «estes tempos que vivemos têm sido tempos de importantes batalhas para os comunistas e para todos os democratas e patriotas», referindo-se aos ataques, mentiras e calúnias lançadas contra o Partido por parte do «grande capital e de todos os fantoches que o servem».

Os últimos anos, acrescentou, ficaram ainda marcados pela conquista de uma vida melhor, devida à luta do povo português, indissociável da força e acção do PCP. «Foi assim na conquista da gratuitidade dos manuais escolares até ao 12.º ano e na redução do número de alunos por turma; foi assim no decréscimo do valor da propina; foi assim na conquista do passe intermodal a preço reduzido; foi assim que muitos jovens deixaram de ser empurrados para o estrangeiro», enumerou a dirigente.

Mas as vitórias que foram alcançadas não são motivo de descanso, garantiu. No Ensino Secundário os estudantes têm saído à rua reivindicando a contratação de mais assistentes operacionais e professores, o fim dos Exames Nacionais, que são uma das maiores barreiras socioeconómicas de acesso ao Ensino Superior, a realização de obras nas escolas e refeições de melhor qualidade nas cantinas.

Quanto aos jovens do Ensino Profissional, também têm lutado por um regime de faltas justo, uma menor carga horária e estágios dignos.

No Ensino Superior, é cada vez mais reconhecida a importância do seu carácter público, da eliminação das propinas, de mais financiamento público e Acção Social Escolar.

Os jovens trabalhadores não estão à margem dos problemas que assolam a juventude e a generalidade dos trabalhadores do País. Mobilizados pelo movimento sindical unitário, com especial destaque para a Interjovem/CGTP-IN, «participam em greves e manifestações por um futuro de estabilidade e pela valorização geral dos salários e do Salário Mínimo Nacional para 850 euros e contra as alterações à lei laboral», que contém normas muito danosas sobretudo para as novas gerações.

«Quando nos dizem que a juventude está perdida, nós insistimos em dizer o contrário», afirmou a jovem dirigente comunista. Para além da resolução de problemas concretos e imediatos, a intervenção da JCP durante os últimos 40 anos também se revela no esclarecimento, criação de consciência e mobilização dos jovens para a luta por causas justas. «Isto vê-se nas ruas quando os jovens afirmam os seus direitos e desejos.»

Depois da intervenção de Inês Rodrigues, foi a vez do Secretário-Geral do PCP intervir (ver página 5). O momento político deu lugar à cultura e à confraternização, celebrando o aniversário da organização revolucionária da juventude portuguesa com a alegria e entusiasmo que caracteriza toda a sua acção.




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