A luta da juventude dá mais força à JCP
A JCP transporta, no presente e para o futuro, o «passado histórico» de quase um século de acção revolucionária dos jovens comunistas portugueses ao lado da juventude na luta pelos seus direitos. Quem o afirma é Valter Cabral, da Comissão Política da organização, que destaca o lema das comemorações – Pelo que Temos Direito. Avançamos com a Força da Juventude –, com o qual se procura associar o aniversário da JCP (e os 45 anos da Revolução de Abril) a uma permanente ligação às aspirações da juventude.
Se o trabalho com direitos e a educação pública, gratuita e de qualidade para todos são causas de sempre dos jovens comunistas (expressas em reivindicações concretas adaptadas a cada momento), questões como a habitação, a cultura, o desporto e o ambiente têm vindo a assumir uma preponderância crescente nas preocupações dos jovens. Para Valter Cabral, como para Mónica Mendonça (da Direcção Nacional), a JCP tem estado e tem de continuar a estar em todas estas lutas, esclarecendo, organizando e mobilizando. Até porque, garantem, o ataque aos direitos é enorme, assim como a ofensiva ideológica que o acompanha.
Ofensiva multifacetada
Nos locais de trabalho apresenta-se como «liberdade de escolha» a desregulação de horários e louva-se a «modernidade» de empresas como a Uber ou a Glovo, chamadas de plataformas digitais, em que o trabalhador tem poucos ou nenhuns direitos. Nas escolas e universidades apela-se ao «empreendedorismo» ao mesmo tempo que se estreita a promiscuidade entre o ensino público e as empresas privadas.
No Ensino Profissional, afirma Mónica Mendonça, o panorama é «assustador»: os estudantes «aprendem a ser explorados» e a lidar desde cedo com os horários desregulados e há escolas que ministram cursos feitos à medida das necessidades específicas de determinadas empresas: o de mecânica de carrinhos de golfe, no Algarve, é disto exemplo paradigmático.
Ligado a isto surgem todas as limitações à luta dos jovens. Nas empresas por via da precariedade e nas escolas pelos entraves quotidianos colocados à participação associativa. Há direcções que procuram determinar quem pode ou não concorrer à associação de estudantes e opinar sobre os programas das listas. Algumas escolas que inclusivamente facilitaram o transporte dos alunos para as «acções climáticas» procuram por todos os meios impedir a realização de lutas pelo direito à educação.
Uma tarefa e um colectivo
Estas realidades, que não sendo novas na sua essência apresentam hoje diferentes expressões, exigem uma presença ainda mais regular e próxima dos comunistas junto dos jovens trabalhadores e estudantes, assumem os dois dirigentes da JCP. Por mais forte que seja a ofensiva, e é, a experiência mostra que há campo aberto para esclarecer, organizar e mobilizar a juventude para a luta pelos seus direitos, garantem.
Nas escolas, nas universidades e em muitas empresas, mesmo naquelas onde vigora a mais desenfreada exploração, o contacto da JCP com os jovens é normalmente frutuoso: muitos desses jovens, garante Valter Cabral, têm noção da sua situação e estão revoltados com ela, ao que Mónica Mendonça acrescenta que as posições e propostas da JCP vão ao encontro daquelas que são as suas aspirações. Contactar com mais e mais jovens é, pois, um dos principais desafios colocados hoje à JCP.
Na última reunião da sua Direcção Nacional, a JCP reafirmou o princípio de que «um comunista tem de ser um agitador, tem de ter uma tarefa e um colectivo, tem de criar caminho para a unidade nas escolas e locais de trabalho», reafirmou Valter Cabral, revelando que no âmbito do aniversário se estipularam objectivos organizativos, desde logo ao nível do recrutamento e da criação de novos colectivos. A luta juvenil, é sabido, alarga-se com o reforço da JCP. E esta avança com a força da juventude.