Resistir à ofensiva, condição para a derrotar
Há quem não perdoe o que os últimos quatro anos representaram na vida do País. E que, sobretudo, não se conforme pelo que sinalizou sobre o papel do PCP. Os mesmos que menorizavam o PCP por ser mera força de protesto vivem sobressaltados pelo peso, ainda que relativo, do que condicionou e determinou na vida política.
A complexidade do quadro político coloca novas exigências ao Partido
Não pelo que a conjuntura recente significou em si, mas pelo o que PCP dela fez prova. Não tanto pelo que nela se assumiu como avanço, que não é pouco se se verificar que interrompeu um percurso de quatro décadas de retrocessos em direitos, mas também pelo que revelou e o PCP assinalou: as limitações inultrapassáveis das opções de política de direita, a visibilização que a resposta plena aos problemas nacionais exigem uma alternativa política, patriótica e de esquerda, e soluções estruturais no plano sócio-económico que abram caminho à emancipação dos trabalhadores e do povo.
É isso que os atemoriza e não tanto este ou aquele conteúdo concreto do que se alcançou. Até porque sabem que em opções estruturais da política de direita encontram no Governo do PS, ainda que aquém do que ambicionam, segurança e protecção. O que os atemoriza é que é no PCP e no seu reforço que os interesses de classe do grande capital, os seus projectos reacionários, os seus planos de subversão democrática encontram o obstáculo.
Daí que a ofensiva ideológica anticomunista prossiga. Com mais virulência, meios incomensuravelmente maiores, beneficiando da acumulação de preconceitos inculcados metodicamente a partir dos instrumentos de condicionamento ideológico de que dispõem. Uma ofensiva pronta a intensificar-se na razão directa de terem visto gorar, depois de tudo do que lançaram mão, o objectivo de tornar o PCP força irrelevante.
Esboroados presságios de morte anunciada e declínio irreversível dos cangalheiros de serviço, o inconformismo odioso que mantêm desmente em si mesmo o que procuram negar: a nitidez do confronto de interesses e da agudização da luta de classes, que davam por enterrada, entre os centros do capital monopolista e o partido da classe operária e dos trabalhadores.
Novas exigências
Novas exigências de intervenção se colocam ao Partido. A complexidade do quadro político não se esbateu. Pelo contrário. A agenda dos sectores mais reaccionários aí está em desenvolvimento alimentando-se nos compromissos do PS de submissão a interesses que impedem respostas inadiáveis.
Jogando mão de sucedâneos partidários que potenciem soluções antidemocráticas, instrumentalizando temas marginais que alimentem preconceitos, alimentando operações de desestabilização económica e social, dividindo trabalhadores e desvalorizando a sua luta organizada, esbatendo fronteiras de classe amalgamando-as numa suposta «classe política».
Cá encontrarão o PCP afirmando-se como alternativa à política de direita, seja a que PS prossegue em opções estruturais, seja a associada à agenda reacionária. Fazendo-o com a confiança de um Partido que tem a sua força no enraizamento nos trabalhadores e no povo, não desperdiçando nenhum espaço de acção e luta para avançar em direitos e melhores condições de vida, mantendo presente os objectivos de luta mais geral que são a razão da sua existência, do seu ideal e do seu projecto de sociedade.
Cá nos encontrarão lutando com todos os que sabem que, mesmo os que divergem no acessório, é no PCP que encontram resposta ao que é essencial aos seus direitos e às suas vidas. Sem impaciência, raiz do sectarismo. Acumulando forças e ampliando a consciência social e política no terreno onde se tem de fazer: o da acção concreta e da luta.
Afirmando a identidade comunista e a independência de classe, o projecto de sociedade livre de exploração pela qual lutamos, enfrentando o confronto ideológico e resposta reacionária de quem vê no capitalismo, seja qual for a expressão de conjuntura que ao sistema convenha, o modo de produção capaz de garantir a exploração, perpetuar injustiças, hipotecar o futuro dos povos.