O foco

Manuel Gouveia

Os motoristas de mercadorias querem um salário base digno, que lhes sejam pagas as horas extraordinárias e o tempo que são obrigados a passar no local de trabalho, querem a definição das suas funções e ver garantidas as refeições e o alojamento se deslocados. Não é um quadro reivindicativo muito complexo ou diferente do que querem os restantes trabalhadores.

O que no fundo os motoristas querem é poder trabalhar e ter, simultaneamente, uma vida digna. Isso só pode ser alcançado através da expropriação dos meios de produção e de uma outra organização social. Até lá, como todos os trabalhadores, serão explorados e viverão num clima permanente de precariedade e luta, mais ou menos acesa, onde a maior ou menor satisfação das suas reivindicações nascerá de processos que associem a luta organizada à negociação colectiva com o patronato.

É esse o caminho que prossegue o sindicalismo de classe, e é essa a maior dificuldade dos dias que correm, destes dias em que as justas aspirações de um conjunto de trabalhadores estão a ser usadas: por um arrivista para ganhar notoriedade, protagonismo e clientes; pelo Governo para ganhar votos, dramatizando, empolando e resolvendo uma crise; pelas varelas deste mundo para atacar o sindicalismo de classe, vender umas ilusões e semear o veneno anti-comunista e divisionista; pelos patrões para dividir e derrotar os trabalhadores, e manter o máximo nível de exploração; pelos reaccionários de todo o calibre (começando pelos do PS e indo até os mais liberais e modernaços) para tentar reduzir o direito à greve e enfraquecer a resistência e a luta.

É que amanhã, quando os pardais voarem para outro ninho, quando as varelas pularem para outra cátedra, quando o foco da comunicação social apontar noutra direcção, amanhã, vai ser mais difícil mas igualmente necessário organizarmos estes trabalhadores para a luta.




Mais artigos de: Opinião

Valeu a pena!

A despeito dos que se põem em bico de pés para aparecer no retrato do devir colectivo, dirá a História – quando for o tempo de a fazer – que o nosso Partido, o Partido Comunista Português, deu um contributo inigualável para a solução política saída das últimas eleições legislativas de 2015.

Venezuela resiste!

«Será preciso muito mais que um magnata supremacista em campanha eleitoral, ou um falcão guerreiro tresloucado, obsessivo e desesperado para não perder o seu emprego, para destruir a obra libertadora iniciada pelo libertador Simón Bolivar e retomada no Século XXI pelo comandante Hugo Chávez». Foi nestes termos que a...

Vale mais prevenir que remediar

Sobre a greve por tempo indeterminado no sector de mercadorias e as decisões do Governo em matéria de serviços mínimos e de requisição civil, o PCP tomou posições, alertando para o facto de esta greve, tendo em conta a argumentação em que se suporta e a instrumentalização de reais problemas e descontentamento dos...

O globo da gratidão

A SIC apresentou recentemente os nomeados para o seu programa «Globos de Ouro», que vai para o ar no domingo anterior ao dia das eleições legislativas. Na categoria de personalidade do ano do jornalismo, surge nomeada Ana Leal, da TVI. Tendo em conta que tinha sido alvo de uma deliberação altamente condenatória por...

A desagregar-se

Donald Trump ordenou mais uma ofensiva contra latinos clandestinos nos EUA e o resultado foi a repetição da brutal separação de pais e filhos, ou seja: enquanto os pais eram detidos para serem expulsos, os filhos saíam das escolas norte-americanas e encontravam a polícia em vez dos pais, ficando depois amontoadas em...