A desagregar-se
Donald Trump ordenou mais uma ofensiva contra latinos clandestinos nos EUA e o resultado foi a repetição da brutal separação de pais e filhos, ou seja: enquanto os pais eram detidos para serem expulsos, os filhos saíam das escolas norte-americanas e encontravam a polícia em vez dos pais, ficando depois amontoadas em instalações miseráveis, sem ninguém a cuidar delas.
Fundados em 1776, os EUA têm 250 anos de História, mas uma longa trajectória de depredação. Em guerras territoriais apossaram-se de largas fatias do México (nomeadamente o Texas e a Califórnia), enquanto chacinavam e desapossavam os americanos autóctones, passando depois a competir com as grandes potências na disputa dos mercados, na roda do capitalismo mundial.
A sua primeira área de expansão foi o imenso território das Américas, seja a América do Norte (que os EUA partilham com o Canadá e com o México, a Sul), seja a América Central, seja a gigantesca América do Sul, onde estão países enormes como o Brasil, a Argentina ou a Venezuela.
Nos últimos 150 anos os EUA apuraram o domínio político e económico sobre a chamada «América Latina», a ponto de esta ser conhecida como «o quintal dos EUA», apesar de também ser várias vezes maior do que o «dono do quintal». Foi o tempo dos golpes de Estado e de longas e sangrentas ditaduras fascistas sempre apoiadas pelos EUA, que assim montaram, no imenso continente americano, um gigantesco sistema de exploração e corrupção a favor dos seus interesses imperialistas. Ficaram famosas ditaduras fascistas como a de Pinochet, no Chile, a de Videla, na Argentina ou a dos militares, no Brasil – e isto falando apenas da América do Sul. Em todas elas houve o apoio armado e constante da «grande democracia» norte-americana, que se fazia pagar com todo o tipo de explorações.
Os últimos 60 anos da chamada América Latina foram caracterizados por revoluções emancipadoras e por golpes de Estado fascistas promovidos e/ou apoiados pelos EUA, acentuando-se inexoravelmente a miséria e a exploração conforme se iam dando refluxos nas emancipações ocorridas em vários países.
A ofensiva permanente dos EUA para garantir os proventos e o domínio político na imensa América Latina levaram esta região do planeta a um estado de miséria endémica, apesar dos seus imensos recursos, sendo o domínio dos EUA garantido por uma rede de governos corruptos e frequentemente torcionários.
Mas as massas, quando acossadas pela miséria e o desespero, movimentam-se em busca de uma vida melhor e não há nada que as pare. Nem os muros de Trump na fronteira.
Os EUA é um grande país feito de emigrantes e a política de Trump já separa pais de filhos. É o país a desagregar-se, também, da sua história.