Por que é que fazemos campanhas assim?
«Lá andam eles em campanha eleitoral!». Às vezes a frase é atirada quase como um insulto. Para quem o diz assim, «andar em campanha eleitoral» equivale a vender banha da cobra. Há com certeza forças políticas a quem a carapuça serve. Mas não ao PCP.
Se o voto não é a única forma de participar também mas não é para ser desperdiçado
O sistema eleitoral português prevê a existência de períodos de campanha antes de cada eleição, durante os quais as candidaturas têm direito a meios específicos de campanha, como tempos de antena, dispensa dos candidatos dos seus empregos, utilização de salas e recintos públicos e têm a liberdade de propaganda especialmente protegida. As entidades públicas e os órgãos de comunicação social têm deveres de imparcialidade.
As campanhas eleitorais devem ser momentos privilegiados de apresentação de análises e propostas, de esclarecimento democrático, de discussão livre, de elevação da consciência social e política do povo, de mobilização para o voto. É assim que o PCP se posiciona.
É verdade que temos propaganda todo o ano, seja visual, escrita ou electrónica. É verdade que decidimos frequentemente e levamos a cabo campanhas fora dos períodos eleitorais e que o fazemos com inteira liberdade, com os meios que temos – e que precisávamos que fossem bem maiores! – e que se outros partidos não o fazem é porque não querem, não podem ou não sentem necessidade.
Em campanha eleitoral intensificamos esse trabalho. O PCP defende – e pratica – que a participação popular é bem mais do que votar de quatro em quatro anos. Apelamos e incentivamos diariamente a que os trabalhadores, as mulheres, os jovens, intervenham decididamente em todas as esferas da vida, por todos os meios que entendam, lutando. Se o voto não é a única forma de participar, também não é para ser desperdiçado. Esclarecer e mobilizar para o voto faz parte da luta.
Nada substitui o contacto directo
Parte da cobertura noticiosa durante a campanha para o Parlamento Europeu alinhou no discurso populista e antidemocrático do «todos iguais». Alimentou a caricatura de que a campanha eleitoral é uma «coisa» feia que se faz em feiras a distribuir brindes, enganando os incautos. Parte dos comentadores do costume culparam pela abstenção aquilo a que chamam a «encenação» da campanha eleitoral.
Sim, os militantes e amigos do PCP e da CDU distribuem folhetos com propostas em feiras e mercados. Da mesma forma que vamos à porta de empresas e locais de trabalho, de noite ou de madrugada, a escolas, terminais de transporte, associações, serviços públicos, locais de convívio, jardins, a bairros populosos e a aldeias pequeninas. Fazemo-lo porque consideramos que ir onde as pessoas estão é a maneira mais directa e frontal de discutir as nossas propostas e de aprender com as opiniões de quem connosco conversa. Fazemo-lo pelo respeito que nos merece cada pessoa com que falamos e cada voto.
Sim, temos nas nossas campanhas eleitorais grandes momentos, com centenas ou milhares de apoiantes (que são isso mesmo: apoiantes activos de projectos e candidatos, não figurantes para fazer número). Mas não é isso o essencial da campanha eleitoral da CDU.
Há sempre muita coisa a melhorar na forma como comunicamos, como aproveitamos melhor os meios que o desenvolvimento tecnológico põe à nossa disposição. Mas nada substitui a conversa com o colega de trabalho, com o vizinho, com o amigo. Nada substitui a organização de uma campanha de massas, de esclarecimento, de mobilização para o voto. É assim que se combate o desânimo e a abstenção, a irracionalidade e a superficialidade e se constrói o resultado da CDU, indispensável para fazer o País avançar.