Por mais e melhores transportes públicos em nome das famílias e da defesa do ambiente
TRANSPORTES A redução do preço e o alargamento do passe intermodal, pelos quais o PCP vinha a batalhar desde 1997, é a medida que nos últimos anos «mais contribui para a protecção do ambiente».
O problema dos transportes públicos é serem insuficientes
«Este é um grande passo para um ambiente mais sustentável», afirmou a deputada comunista Ângela Moreira, dia 5, na interpelação do Partido Ecologista «Os Verdes» ao Governo centrada nas alterações climáticas» e na importância que o sector dos transportes tem no combate a este problema.
Sendo esta uma «ameaça que é global», global tem de ser também a resposta a dar-lhe, sustentou o deputado ecologista José Luís Ferreira, que disse «haver muito por fazer» neste capítulo, designadamente em matéria de «investimento de forma séria nos transportes e sobretudo na ferrovia».
A sobressair deste debate, no qual foi patente o esforço do ministro do Ambiente e Transição Energética para negar a existência de problemas com os transportes na Área Metropolitana de Lisboa, esteve sobretudo a ideia de que após a redução do preço do passe é agora absolutamente necessário que haja um forte investimento para aumentar a oferta.
«É preciso mais investimento, é indispensável reforçar os transportes públicos, reforçar horários e carreiras nos diversos modos de transporte», insistiu Ângela Moreira, lembrando que só com mais oferta de transportes públicos é possível responder às necessidades da população.
Alargar a rede
Nesse sentido se pronunciou também Diana Ferreira, que, aludindo nomeadamente à Área Metropolitana do Porto, sublinhou que a «concretização por inteiro» do incentivo ao uso dos transportes públicos e colectivos exige que o «passe família seja rapidamente uma realidade».
Tal como é necessária a «melhoria da cobertura da rede e da oferta de transportes públicos na região», disse a parlamentar do PCP, realçando que para isso há que reforçar e alargar a STCP, bem como investir no metro do Porto e nos comboios urbanos que servem a região.
A este propósito, sem esquecer a ligação à Trofa bem como o prolongamento a Gaia e a outras localidades, Diana Ferreira lamentou que Gondomar seja o «único concelho do 1.º anel da AMP onde o metro não chega ao centro, à sede de concelho», tendo por isso reiterado a exigência de que tal quadro seja alterado.
«Faz todo o sentido que haja linha de metro onde existe uma maior procura e manifestamente a Linha da Trofa não é um desses casos», foi a resposta seca dada pelo ministro à deputada comunista - e nada mais.
Não esquecer o interior
Deixada muito clara no debate por parte do PCP foi ainda a noção de que o problema dos transportes públicos «não é terem ficado mais baratos, é sim serem insuficientes, terem sofrido ao longo de décadas um subfinanciamento crónico, um desinvestimento brutal e uma restrição insustentável à contratação de trabalhadores».
Disse-o Bruno Dias, que identificou ainda uma outra razão para as dificuldades sentidas nos transportes públicos: «terem sido considerados por sucessivos governos não como serviço público fundamental para o povo e o País, mas sim como oportunidade de negócio para parcerias-público-privado (PPP) e privatizações».
A perpassar a discussão esteve também a exigência – e nela insistiram sobretudo os deputados comunistas e os ecologistas de «Os Verdes» - de que seja garantido que as medidas de promoção de transporte público e de mobilidade recentemente adoptadas sejam mesmo uma realidade para todo o País.
O que implica que esta matéria seja adoptada como uma «aposta nacional», acabando com a lógica de que «cada autarquia sabe de si, cada Comunidade Intermunicipal (CIM) sabe de si».
«É urgente intervir para que se acabe com este abandono das regiões do interior», reclamou Bruno Dias, defendendo que para esse efeito o Governo tem de assumir as suas «responsabilidades directas, desde logo em relação à ferrovia, e às empresas sob sua tutela». Ou seja, enumerou, «determinar a contratação dos trabalhadores necessários, executar os investimento aprovados, concretizar o Plano Nacional de Material Circulante».
Investimentos que faltam e são imprescindíveis
Pouca gente haverá que possa negar que a redução do preço e alargamento do passe intermodal, com a vinda ao sistema de transportes públicos de mais 100 mil utilizadores, representou um enorme avanço quer na mobilidade da população, quer no rendimento disponível das famílias, quer ainda do ponto de vista ambiental.
Esse avanço, porém, teria sido significativamente maior se tivesse havido o investimento necessário para melhorar e aumentar a oferta de transportes públicos.
«É esse investimento que tem faltado», frisou o deputado comunista Duarte Alves, dando exemplos concretos de como isso se tem reflectido negativamente na vida dos utentes: dezenas de supressões diárias na CP na Linha de Sintra, atrasos constantes na Linha da Azambuja.
A falta de trabalhadores para a manutenção é outra das consequências da falta de investimento, com parte da frota imobilizada regularmente por essa razão, identificou o deputado do PCP, que referiu que a falta de investimento é notória igualmente no Metro de Lisboa, onde os «problemas se acumulam», com o Governo a insistir em «manter bloqueada a contratação de trabalhadores».
Já na Fertagus, onde tem vindo a registar-se também maior procura, importa que seja dada uma «resposta que salvaguarde o interesse público e que garanta um serviço de qualidade e com mais oferta», anotou Duarte Alves, convicto de que isso «só é possível com o fim da PPP».
No transporte fluvial – Transtejo e Soflusa – é preciso «dar resposta à falta de trabalhadores, que origina as supressões e deixa a população sem alternativa», exigiu ainda o parlamentar comunista.
«Está o Governo disponível para fazer estes investimentos, para permitir estas contratações de trabalhadores e assim resolver os problemas?», foi a pergunta deixada, por fim, pelo deputado do PCP. Pergunta directa e simples a que o titular da pasta do Ambiente não respondeu.