Por mais e melhor oferta dos transportes públicos
A situação dos transportes públicos esteve igualmente presente no debate, com Jerónimo de Sousa a defender que à redução do preço do passe dos transportes se some sem mais delongas o «aumento e melhoria da qualidade da oferta». Mas disse mais: há no Orçamento do Estado para este ano verbas de investimento para esse efeito.
Em sua opinião, depende assim – e apenas – da opção do Governo a resolução de problemas que têm findo a dificultar o quotidiano de milhares e milhares de utentes dos transportes públicos.
O responsável comunista lembrou que o problema da falta de comboios e barcos «não é de agora», tal como não o é a falta de trabalhadores, que «também já vem de trás». «O problema é que com mais 170.000 passageiros só na Área Metropolitana de Lisboa todos estes problemas se agravaram», sublinhou.
Jerónimo de Sousa rejeitou, por outro lado, que sejam os trabalhadores dos transportes os responsáveis por estes problemas e afirmou que «não é aceitável que as pessoas sejam transportadas a monte», como sugerira dias antes o Secretário de Estado.
Na resposta, falando das empresas que fazem a ligação entre as duas margens do Tejo, António Costa deu como ultrapassadas dificuldades com a abertura de concurso para 10 novas embarcações na Transtejo (que só chegam dentro de dois anos) e a existência de navios de reserva nesta empresa e na Soflusa; mostrou-se satisfeito ainda por já não haver imobilização de carruagens no Metro de Lisboa.
«O que temos de fazer é continuar os investimentos necessários em recurso humanos, em equipamento, para ir melhorando a qualidade do serviço, não é deitando fora aquilo que foi uma medida de grande alcance ambiental e social, como é a fixação do passe único, uma conquista extraordinária desta legislatura», afirmou o primeiro-ministro.
Antes, Jerónimo de Sousa considerara já que a redução do preço do passe dos transportes «confirma-se como uma das medidas de maior alcance social desta legislatura», salientando que com essa medida «ganham as famílias que reduzem os custos das suas deslocações, ganham as cidades com a redução do trânsito e dos problemas do estacionamento e ganha o ambiente com a redução da poluição».
E valorizando este avanço – um objectivo, recordou, pelo qual o PCP luta há mais de 20 anos – o dirigente comunista, em jeito de alerta, disse não ter ilusões e saber que «quem nunca quis esta medida e não a queria ver aprovada está a fazer tudo para que ela possa andar para trás».
Por isso reafirmou que o PCP prosseguirá a luta «para avançar, não só na aplicação da medida do passe em todo o País mas também na resolução imediata dos problemas que já vinham de trás e agora se agravaram».