Cada um cala por si

João Frazão

A CGTP-IN, na grandiosa jornada de luta do 1º de Maio, anunciou a revindicação de aumento geral de salários para todos os trabalhadores, incluindo o Salário Mínimo Nacional para 850 euros. O PCP afirmou nesse dia, e daí para cá, o seu apoio e empenhamento na sua concretização, colocando-a como uma emergência nacional. São os trabalhadores que produzem a riqueza. Ela tem de ser distribuída justamente.

Passaram 30 dias e os comentadores do costume, ao serviço dos interesses do grande capital, não querem que se fale dela.

Assobiam para o lado, para que não se amplie o apoio a uma medida que é, como a vida mostrou, indispensável ao crescimento e ao emprego e que, contrariando a tese de que as empresas não aguentam, é mesmo condição para a sua valorização.

Silenciam-na para que não ecoe o impacto de maiores contribuições no aumento de receitas para a Segurança Social, com que tantos se fingem preocupados.

Procuram apagar a justa reivindicação, para que não fique claro que o aumento de salários é indispensável para fazer regressar muitos dos jovens, boa parte com elevados graus de formação, forçados a emigrar pelos executores da política de direita.

Promovem divisões artificiais, para que não fique clara a justiça que lhe está associada, tendo em conta o reduzido valor dos salários em Portugal, não apenas comparado com outros países, mas visto na relação com o custo de vida.

O silêncio dos serventuários do capital é ensurdecedor. Diz muito do valor da reivindicação que agora faz caminho nas empresas e locais de trabalho em reivindicações concretas, que não pretendem esmagar as carreiras existentes, antes valorizar cada um dos níveis ou das categorias em cada contrato.

Assim como é clarificador o silêncio que, sobre isto, e em particular sobre o Salário Mínimo Nacional para 850 euros, imperou no PS, PSD, CDS e BE, em cada um dos 30 dias que passaram desde o 1.º de Maio. Cada um fala, ou cala, por si.




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