Saudosismo
João Miguel Tavares, figura sombria da direita nacional que o Dia de Portugal terá de suportar, a convite do Presidente da República, não esconde a excitação face ao acórdão que pretende a perda de mandatos dos eleitos da CDU em Vila Viçosa por a autarquia ter cedido, a pedido dos seus trabalhadores, transporte para se deslocarem a uma acção de luta, vai para quatro anos. Não é do que o País pode esperar de mais reaccionário do discurso da criatura em Junho próximo que releva para este texto. Se Portugal já teve que vencer ocupação espanhola, invasões francesas e quase meio século de fascismo, sobreviverá à prosa de JMT.
O que releva para o caso é que JMT parece andar perdido no tempo, incapaz de disfarçar o seu saudosismo serôdio. Será por isso que se insurge pelo objectivo da cedência de transporte – o de se vir celebrar a queda do segundo governo de Passos Coelho. O horizonte histórico do saudosismo de JMT não se cingirá a um mero quinquénio. Pelo que transparece, no que escreve, as saudades que nutre serão de mais de meio século. JMT, ainda não se situou num tempo em que o Poder Local tem autonomia (o tempo dos antigos regedores é passado) e que o direito a manifestação pode encerrar dimensão política. Assim se percebe que, de uma assentada, verbere as razões da decisão (direito a manifestação), se indigne com o objectivo («derrube de um governo») e não alcance as competências de um órgão autárquico. Que se guarde, porque vem aí mais um aniversário do 25 de Abril.