Os manifestantes
A propósito de um Manifesto apresentado na passada semana, os jornais deram conta que candidatos ao Parlamento Europeu do PS, PSD e CDS eram subscritores do mesmo, atribuindo-lhes o título de candidatos do Mundo Rural.
Ninguém do PCP ou da CDU, porquê?
Não estivemos nessa iniciativa porque, como no mundo rural bem se sabe, às bodas e aos baptizados só devem ir os convidados.
Ora o PCP não é apenas mais uma força que se preocupa com o mundo rural. O PCP é a única força que, no nosso país, se bate coerentemente em sua defesa, que denunciou todas as medidas que levaram à desertificação e ao despovoamento – encerramento de serviços públicos, destruição de postos de trabalho, ausência de investimento público, destruição de centenas de milhar de explorações agrícolas – e que propôs medidas e políticas para inverter este rumo.
Por muito justas que sejam as reivindicações que o anunciado Manifesto invoque, conhecidos que são tais subscritores iniciais, temos de afirmar que não se defende o mundo rural com os que são directamente responsáveis pela difícil situação em que ele se encontra.
Não se defende o mundo rural com os que encerram linhas e estações de caminhos de ferro, serviços de correio e de saúde, escolas e mesmo juntas de freguesia; apoiam políticas que provocam o abandono da agricultura familiar; retiram às autarquias os meios; demonizam o investimento público ou desviam as suas verbas para o apoio à banca e ao capital financeiro; aceitam as imposições da União Europeia que impedem o desenvolvimento e o progresso.
Não se defende o Mundo rural branqueando as responsabilidades dos que nos trouxeram até aqui.
A defesa de um Mundo Rural vivo, em todas as suas componentes, faz-se por outro caminho, pela ruptura com a política de direita, pela construção de uma política patriótica e de esquerda, da qual não desistiremos.
Nunca, claro, com tais manifestantes.