Quinzena de acções no comércio interpela APED e empresas

LUTA Numa «tribuna pública» frente ao Centro Comercial Vasco da Gama, testemunhos de trabalhadores deram mais força à exigência de que as empresas não se escudem atrás da associação que dominam.

As grandes cadeias comerciais querem aumentar ainda mais a exploração

A «quinzena de luta» promovida a nível nacional pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), terminou a 28 de Fevereiro, em Lisboa, com uma iniciativa onde vários trabalhadores relataram na primeira pessoa situações que ilustram os motivos do descontentamento e do protesto nas empresas da grande distribuição.
O sindicato da CGTP-IN decidiu realizar uma «tribuna pública dos trabalhadores» deste sector naquele local, porque no centro comercial funcionam estabelecimentos de várias empresas filiadas na associação patronal APED, destacando a Sonae (com o Continente e a Worten), porque «paga dos salários mais baixos, paga pela Tabela B nos distritos fora de Lisboa, Porto e Setúbal, e mantém a injustiça na carreira dos operadores de armazém».
As negociações do contrato colectivo e dos salários para os super e hipermercados, grandes armazéns e cadeias de lojas especializadas arrastam-se há 29 meses, porque a APED faz depender qualquer revisão salarial da aceitação de «contrapartidas» no clausulado contratual. Como se reafirmou na moção aprovada na «tribuna pública», o CESP e os trabalhadores rejeitam a pretensão de abrir portas aos «bancos» de horas e de reduzir o pagamento do trabalho extraordinário.
Numa saudação que emitiu dia 1, a todos os trabalhadores que participaram nas iniciativas desta quinzena, a direcção do sindicato volta a exigir respostas, não apenas da APED, mas também das empresas que a integram e às quais foram dirigidas reivindicações directas. Tal como a associação patronal, a Sonae, a Jerónimo Martins (Pingo Doce), o Auchan (Jumbo), o DIA (Minipreço), o LIDL, a FNAC, El Corte Inglés devem negociar com os trabalhadores «o aumento dos salários, o fim da Tabela B, a correcção da carreira dos operadores de armazém, o fim da precariedade, horários regulados, o fim da pressão e repressão».
Com uma reunião de negociação, em fase de conciliação, marcada para dia 14, o CESP garante que a luta dos trabalhadores vai continuar, caso as empresas e a APED não alterem a sua posição.

Nos armazéns da Sonae, na Maia e na Azambuja (Espadanal), de segunda a sexta-feira, dia 1, ocorreram greves de uma ou duas horas. Um dirigente do CESP referiu à agência Lusa que «tivemos cerca de 200 trabalhadores no piquete de greve» no principal acesso a este último entreposto.

Também no dia 1, fizeram greve os trabalhadores da Via do Infante (AAVI, empresa da Cintra Infraestructuras, Grupo Ferrovial) no centro de controlo, assistência e manutenção da A22, no Algarve, para exigirem aumentos salariais e melhores condições de trabalho.

 



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