Augusto da Costa Dias nasceu há 100 anos

Está patente ao público, desde segunda-feira, uma mostra sobre Augusto da Costa Dias (1919-1976). Foi a maneira que a Biblioteca Nacional, familiares e amigos encontraram para assinalar o centésimo aniversário do nascimento do escritor, jornalista, director editorial, historiador e grande divulgador cultural, entre outras actividades não menos meritórias.

«Um dia, quando se apagarem certas paixões compreensíveis, se medirá numa balança de cristal o que a cultura portuguesa ficou a dever a este homem», escreveu José Gomes Ferreira sobre o homenageado.

A mostra, ainda que com algumas lacunas, dá-nos mesmo assim uma visão global da intensa intervenção do militante comunista nas várias áreas da cultura e pensamento. Segundo familiares, que se juntaram com amigos e admiradores do escritor na sala onde se encontra a exposição, o espólio de Costa Dias foi transferido, quase todo, para o Museu do Neo-realismo, em Vila Franca de Xira.

Costa Dias nasceu a 12 de Fevereiro de 1919, em Trouxemil (Coimbra). Em 1954, completou a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, na Universidade de Lisboa, tendo o esforço académico sido paralelo a trabalhos temporários, como corrector de seguros ou angariador de publicidade.

Findo o curso, tentou a carreira docente, no que foi impedido pelo regime de Salazar. Então, com outros companheiros de ideais, criou uma sala de estudos para adultos, baptizada de «André Resende».

O «Dicionário Cronológico de Autores Portugueses», também não economiza admiração por este combatente pela cultura. «Criador e fomentador de cultura, como bem lhe chama Alexandre Cabral, Augusto da Costa Dias lançou-se, de par com as suas investigações sócio-literárias incidindo especialmente sobre o século XIX, em três aventuras cujos frutos são clamorosamente visíveis através da lista quase total dos prosadores, poetas e ensaístas, hoje consagrados, e aparecidos, jovens colaboradores de suplementos nos finais da década de 50 e, estreantes em livro, no decorrer da década de 60. Lista que contém todos os que passaram, primeiro, pelo DL-Juvenil por si dirigido, de colaboração com a mulher, Maria Helena da Costa Dias, e com Mário Castrim, Tossan e Figueiredo Sobral, depois pelo República-Juvenil, também por si dirigido, e, na década de sessenta, estreando-se ou confirmando-se como tradutores, poetas, prosadores e ensaístas nas várias colecções que criou e dirigiu na Portugália Editora, tais a Colecção Portugália, de ensaio, e as colecções Poetas de Hoje, Novos Romancistas, Novos Contistas, Novos Poetas e Novos Ensaístas.

Sempre ligado ao PCP, e nunca esquecendo o seu papel de difusor cultural, abriu-se à grande heterogeneidade das ideologias dos autores que elegeu. Porventura, será essa a causa do «silêncio feroz» de que foi – e é – vítima. São palavras de Alexandre Cabral.

 



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