PCP contesta «solução» para o Ramal da Lousã e acusa Governo de desperdiçar milhões de euros
TRANSPORTES O Partido insiste que a reposição dos carris, a modernização e electrificação do Ramal da Lousã e a sua ligação à rede ferroviária são a melhor solução para as populações e o erário público.
O metro-bus é mais caro, mais lento e menos amigo do ambiente
Em comunicado divulgado no dia 4, o mesmo em que o Governo apresentou, com pompa e circunstância, aquela que considera ser a «solução» para a retoma da circulação no antigo Ramal da Lousã, as comissões concelhias de Lousã e Miranda do Corvo do PCP acusam o executivo de continuar a gastar milhões de euros sem que isso se reflicta num serviço de transporte adequado às circunstâncias.
«O erário público continua a ser delapidado. Em cima dos milhões já gastos, o recurso a autocarros implica um gasto de mais 90 milhões de euros. Metade dessa verba seria suficiente para repor e electrificar a linha, reaproveitando todo o material, incluindo o circulante, existente na CP», acusam as estruturas partidárias.
Um outro e não menos importante aspecto, notam, é que a opção por um sistema de mobilidade assente em autocarros eléctricos prossegue o caminho de destruição da ferrovia nacional e, no caso concreto do Ramal da Lousã, «é mais lento, mais caro, menos amigo do ambiente e não permite o transporte de mercadorias».
Pelo contrário, a reposição dos carris, a modernização e electrificação da linha e a sua ligação à rede ferroviária nacional, como defende o PCP, seriam a solução que melhor serve os interesses das populações e o desenvolvimento das actividades económicas.
Alternativas viáveis
As comissões concelhias da Lousã e de Miranda do Corvo insistem que a «solução» preconizada pelo Governo é a pior de todas, dando como exemplo o sistema de mobilidade implementado em Cádis, na Andaluzia, o qual permite, «em paralelo, a circulação urbana e interurbana, alimentado por bi-tensão e partilhando a mesma bitola da ferrovia nacional».
«O Partido Comunista Português, ao contrário de outros, não altera a sua posição consoante o local em que se encontra. Por isso, continuamos a exigir que se cumpra a resolução aprovada na Assembleia da República (AR)», sublinha-se por fim no comunicado.
Recorde-se que a 12 de Fevereiro de 2016, a AR aprovou, sem votos contra, uma resolução proposta pelo PCP em que se defendia a extinção da sociedade Metro Mondego, a devolução do seu património ao domínio público e a reposição, modernização e electrificação da linha do Ramal Ferroviário da Lousã. Já a 27 de Janeiro de 2017, o parlamento, desta feita com a oposição do PS, pronunciou-se pelo início urgente daquelas obras.
Insatisfação
Antecipando a apresentação da nova versão do Sistema de Mobilidade do Mondego, também o Partido Ecologista «Os Verdes» contestou, na sexta, dia 1, a opção governamental, considerando que esta «enterra definitivamente o Ramal da Lousã».
Os ecologistas criticam não apenas o montante gasto na nova versão (ao que acrescem os cerca de 110 milhões de euros despendidos desde 2010 na reconversão da linha e no aluguer de autocarros), como o facto daquela não passar de «um sistema rodoviário».
Além de «não ser a solução mais barata nem a que melhor contribuirá para a mobilidade das populações dos municípios da Lousã, Miranda do Corvo e de Coimbra», tem ainda o defeito de não permitir o transporte de mercadorias», essencial «para escoar a produção desta região, fixar e atrair pessoas e empresas», afirmam.
Na cerimónia ocorrida em Miranda do Corvo na passada segunda-feira, presidida pelo primeiro-ministro António Costa, o ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, Pedro Marques, defendeu o projecto, escudando-se nas suas alegadas vantagens económicas e ambientais. Contudo, de acordo com a Lusa, admitiu que tal como há nove anos as populações não compreenderam o encerramento da linha férrea, agora não compreendem igualmente a opção pelo metro-bus.