Gestão danosa na Caixa tem responsáveis
O PCP responsabiliza os sucessivos governos do PS, PSD e CDS pelas orientações políticas que encaminharam a Caixa Geral de Depósitos para práticas idênticas às que levaram ao descalabro da gestão privada da banca.
«Já é possível concluir que, em resultado de erradas orientações políticas de sucessivos governos do PS, PSD e CDS que quiseram alinhar o banco público pelas práticas do sector privado, a Caixa enveredou pelo caminho do favorecimento dos interesses de grupos económicos privados, em detrimento do interesse público», afirmou o deputado comunista Paulo Sá, reiterando a apreciação do PCP sobre a gestão de sucessivos conselhos de administração nomeados pelos governos.
«A Caixa adoptou abordagens especulativas olhando apenas a interesses privados e de mercado, que a afastaram da missão fundamental de um banco público. Perderam-se somas avultadas com a concessão de crédito para projectos falhados e negócios ruinosos. Beneficiaram-se descaradamente grupos económicos privados», explicitou o parlamentar do PCP.
A este propósito, observou que o CDS – tal como o PSD e o PS – terá de assumir as suas responsabilidades pelos gestores que nomeou para a Caixa. Questionou mesmo se em algum momento os administradores nomeados pelo CDS «puseram em causa estes negócios». Esta referência particular ao CDS por parte do parlamentar comunista não foi alheia à circunstância de este debate de actualidade, realizado faz hoje oito dias, ter sido suscitado por aquele partido em nome de uma clarificação da «responsabilidade» do Estado nas irregularidades detectadas na CGD, segundo uma versão preliminar da auditoria da Ernst & Young.
O que consta no relatório, ainda que alguns elementos careceçam de confirmação, impõe, na perspectiva do PCP, o «cabal apuramento das responsabilidades pessoais de todos aqueles que estiveram evolvidos na gestão da Caixa no período entre 2000 e 2015, daqueles que, por incompetência, com o dolo ou por mera inacção, foram responsáveis por actos de gestão que conduziram a perdas avultadas de milhares de milhões de euros».
Apuramento que, disse ainda Paulo Sá, deve ser feito pela própria Caixa, sem prejuízo do apuramento de eventuais responsabilidades criminais, que competirá às instâncias judiciais.
Mantida pelo actual conselho de administração é entretanto a mesma orientação de alinhamento por práticas do sector privado - «age como se a Caixa fosse um banco privado», disse Paulo Sá -, opção que o PCP rejeita, defendendo uma inflexão de rumo.
«É necessário aprender com os erros do passado. A Caixa Geral de Depósitos é um banco público e deve agir como tal, colocando-se, sempre, ao serviço do interesse nacional», sustentou o parlamentar do PCP.