A polémica das novas vacinas

Margarida Botelho (Membro da Comissão Política)

Por proposta do PCP, o Orçamento do Estado para 2019 inclui a verba necessária para que três novas vacinas passem a ser ministradas a todas as crianças gratuitamente. É uma medida justa e necessária, que protege a saúde, garante a igualdade, apoia as famílias com crianças.

O PCP garantiu que não há restrições para o acesso às vacinas

As três vacinas – contra a meningite B, a rotavírus e o vírus do papiloma humano (HPV) – são recomendadas para todas as crianças pela Sociedade Portuguesa de Pediatria e pela Sociedade de Infecciologia Pediátrica. A Direcção-Geral de Saúde fez várias declarações garantindo a utilidade das vacinas para a saúde das crianças. Como não podia deixar de ser, as vacinas só foram postas à venda em Portugal depois de devidamente autorizadas pelo Infarmed.

Com esta proposta de alteração ao Orçamento do Estado, o PCP garantiu que existe a verba necessária para disponibilizar gratuitamente estas vacinas a partir do início de 2019. O que até agora se tem passado é que a generalidade dos pediatras e médicos de família recomendam a vacinação contra a meningite B e a rotavírus, que atingem valores na ordem dos 600 euros por bebé. Num país em que a maior parte dos pais das crianças desta faixa etária são afectados pelos baixos salários e pela precariedade, é fácil compreender o esforço que muitas famílias têm feito para vacinar as suas crianças e a angústia das famílias mais pobres, que não têm como dispor dessa verba.

Quanto à vacina contra o HPV, já é garantida às adolescentes no Plano Nacional de Vacinação, mas a evolução do conhecimento sobre a doença levou a várias recomendações, nacionais e internacionais, para o alargamento da vacinação também aos rapazes.

Esta é, pois, uma medida sentida de forma muito positiva pelas famílias com crianças pequenas e por profissionais de saúde. A desigualdade que o preço destas vacinas introduz entre crianças choca e indigna.

Lado bem definido
No entanto, poucas horas depois da aprovação da medida, médicos e ex-ministros da saúde escolhidos a dedo alinhavam os argumentos principais que esperavam que as massas repetissem: que as vacinas em questão são dispensáveis, que não têm provada relação custo/benefício, que poucas crianças são vítimas destas doenças, que «os políticos» não se devem meter em áreas técnicas e científicas, que o País não aguenta tanta despesa, até – pasme-se! – que o PCP tinha cedido aos interesses das farmacêuticas.

A operação mediática que se seguiu à aprovação é reveladora do grau de articulação que partidos, centros do capital, órgãos de comunicação social, instituições, comentadores, redes sociais têm e usam quando decidem que querem colocar alguma ideia na sociedade. Procuram apresentar aquele que é um avanço na saúde infantil e na medicina preventiva no nosso país como um erro, uma precipitação. Não têm pejo em usar argumentos pseudo-científicos dos movimentos anti-vacinação (cujo resultado está à vista nas mortes por sarampo) para fazer valer o seu ponto de vista.

Com esta proposta, o PCP garantiu que não há restrições orçamentais para o acesso de todas as crianças a estas vacinas. Entre critérios economicistas e a saúde infantil, o PCP não tem nenhuma dúvida de que lado está.

Neste como noutros avanços, vai ser preciso vencer resistências, adiamentos e bloqueios do Governo do PS e de todos os que defendem que quem quer saúde que a pague. Neste como noutros avanços, será a determinação e a luta, dos pais e dos profissionais de saúde, que garantirá que esta medida se concretiza no início de 2019.

 



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