Protestos continuam em França apesar das cedências de Macron
FRANÇA O presidente Macron anunciou a subida do salário mínimo e a descida de impostos para tentar travar a vaga de protestos no país. Mas foram já convocadas novas manifestações para sábado, 15.
Medidas anunciadas pelo presidente francês são «insuficientes»
Depois de um mês de manifestações contra o seu governo, o presidente da França, Emmanuel Macron, declarou «o estado de emergência económica» no país e prometeu medidas para aplacar o descontentamento.
Num discurso televisivo, na segunda-feira, 10, Macron, que já antes tinha cancelado o aumento do preço dos combustíveis, anunciou a subida do salário mínimo (actualmente de 1 498 euros) em 100 euros, a partir de 2019, e a baixa de impostos aos trabalhadores e reformados. Entre outras medidas, contam-se a entrega de «prémios» aos trabalhadores no final de cada ano e a isenção de impostos para as horas extraordinárias.
Macron admitiu que a insatisfação popular é justificada mas criticou a «inadmissível violência» e prometeu utilizar «todos os meios para restaurar a calma». Contudo, recusou-se a restabelecer o imposto sobre as grandes fortunas.
Desde 17 de Novembro, dezenas de milhares de pessoas têm-se manifestado, aos sábados, em Paris e noutras cidades da França, sendo frequentes os confrontos com a polícia e a violência, além de prejuízos económicos. Segundo as autoridades, os protestos dos «coletes amarelos» já causaram mais de quatro mil detenções e centenas de feridos.
Só no sábado, 8, no «acto 4.º» dos protestos, a polícia identificou duas mil pessoas e deteve mais de 1700. A polícia mobilizou nesse dia 90 mil efetivos em todo a França, com mais de oito mil destacados em Paris, onde decorreram as principais manifestações.
Os «coletes amarelos» já convocaram mais um protesto para o próximo sábado, 15, considerando que as medidas anunciadas pelo presidente são insuficientes. Exigem o respeito pelos direitos dos trabalhadores e o fim da política de austeridade, além de pedirem a demissão de Macron.