Défices e outros contágios
A irriquietude suscitada com a aprovação da proposta do PCP de alargamento do plano de vacinação tem que se lhe diga. Alguém mais distraído seria levado a perguntar por que razão, num Orçamento do Estado com um conjunto significativo de disposições de sentido positivo, também elas resultado da contribuição do PCP; por que razão num Orçamento onde propostas importantes para alargar direitos ou assegurar maior justiça fiscal sucumbiram ao voto convergente do PS, PSD e CDS; num Orçamento onde PSD e CDS exercitaram, até à náusea, a sua demagogia para branquear um passado que querem enterrar; por que razão, pois, se fez daquela proposta o centro da investida? Não se cometerá o pecado analítico de reduzir a questão ao facto de a proposta ter andado por iniciativa do PCP. Razões outras, não menos inocentes, subjazem-lhe.
A invocação de razões técnicas tem perna curta. O reconhecimento por parte de importantes meios científicos ligados à pediatria falam por si. O problema é outro. Não o que se insinua sobre a invasão da «política» na «técnica». Conversa fiada. Basta ver a mobilização de entidades ligadas ao Governo para se perceber o essencial. O que os aflige é que estas vacinas, recomendadas pelos pediatras custem aos pais (que tenham dinheiro para lhes aceder) cerca de 600 euros. O que os move é o custo da medida e o défice. Não se ponha, pois, certo tipo de «técnica» a invadir o que politicamente deve ser assumido em favor de pais e crianças.