O Bloqueio a Cuba e a liberdade

Ângelo Alves

No dia em que estas linhas chegarem às mãos do leitor a Assembleia-geral das Nações Unidas estará a votar a proposta de Resolução apresentada pela República de Cuba sobre a «necessidade de acabar com o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba», crimeque está prestes a completar 60 anos, tantos quantos o triunfo da Revolução cubana.

O Bloqueio contra Cuba é o mais severo, prolongado e injusto sistema de sanções unilaterais que alguma vez se aplicou a um país, com a brutal agravante de ser um acto de guerra económica cujo objectivo é a destruição do sistema político, económico e social livremente escolhido e construído por aquele povo. Constitui uma frontal violação dos mais básicos direitos humanos do povo cubano, dos direitos dos outros povos, incluindo a sua liberdade (pelo seu carácter extraterritorial e impedimento de viagens a Cuba), bem como da soberania de Cuba e do Direito Internacional. À luz da Convenção de Genebra pode ser considerado um acto de genocídio.

Ao longo destes quase 60 anos, obloqueio foi e é o maior obstáculo ao desenvolvimento económico de Cuba eàs suas relações económicas, comerciais e financeiras com o resto do Mundo. Os prejuízos financeiros acumulados ao longo destas seis décadas ascendem a 934 mil milhões de dólares.

Acompanhando a intensificação da ofensiva imperialista na América Latina, e em particular do imperialismo norte-americano, o bloqueio a Cuba foi, no ultimo ano acentuado e acompanhado de uma retórica e acções de crescente ameaça a Cuba. Esta será a 27.ª vez em que o bloqueio será condenado pela Assembleia-geral da ONU. No ano passado, EUA e Israel ficaram isolados. A votação deste ano, menos de uma semana depois das eleições no Brasil, irá adquirir uma importância e simbolismo ainda maiores. Lutar contra o bloqueio é cada vez mais lutar pela liberdade e o progressso, na América Latina e no Mundo.



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