Em Loures como no País afirmar a política alternativa

COMÍCIO A po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda apre­sen­tada pelo PCP como so­lução para o nosso País foi de novo de­ba­tida por Je­ró­nimo de Sousa e Ber­nar­dino So­ares na Festa do Lago, re­a­li­zada no pas­sado sá­bado, 29, por ini­ci­a­tiva dos co­mu­nistas de Santo An­tónio dos Ca­va­leiros, Loures.

Saem do País anu­al­mente muitos mi­lhares de mi­lhões de euros

Bem co­nhe­cido pela po­pu­lação e be­ne­fi­ci­ando de obras nos vá­rios man­datos au­tár­quicos – da APU e da CDU –, o lago que dá nome à festa é palco diário de lazer para vá­rias ge­ra­ções. Apro­vei­tando o de­clive aci­den­tado e um curso de água, a pai­sagem foi trans­for­mada num lugar ape­la­tivo que con­vida a deixar o sofá para usu­fruir do ar livre e do con­vívio com os vi­zi­nhos.

As in­ter­ven­ções de Ber­nar­dino So­ares e Je­ró­nimo de Sousa deram a co­nhecer, res­pec­ti­va­mente, o tra­balho re­a­li­zado na Câ­mara de Loures e no País; o mo­mento mu­sical pela or­questra de São Ju­lião do Tojal e pelos ca­va­qui­nhos da Uni­ver­si­dade Sé­nior de Loures; e os pe­tiscos e as be­bidas a cargo da or­ga­ni­zação local do PCP mo­ti­varam cen­tenas de pes­soas a com­pa­recer em mais uma Festa do Lago.

Na mesa que di­rigiu o co­mício es­ti­veram Luís Fer­nandes (da Di­recção da Or­ga­ni­zação Re­gi­onal de Lisboa e do Co­mité Cen­tral do PCP), Inês Guer­reiro (da Di­recção Na­ci­onal da JCP), Ale­xandre Tei­xeira (da DORL), Xa­vier Reis, João So­ares e Pa­trícia Gon­çalves (da Co­missão Con­ce­lhia de Loures do PCP), Or­landa Ro­dri­gues (Junta de Fre­guesia de Loures), e, na apre­sen­tação, Ana Guer­reiro.

PCP con­fi­ante

«Es­tamos num mo­mento de grande afir­mação do PCP, em que cada vez mais pes­soas com­pre­endem que é graças à in­ter­venção do Par­tido e à luta dos tra­ba­lha­dores que há coisas po­si­tivas a acon­tecer, que as que existem não exis­ti­riam se não fosse a in­ter­venção do nosso Par­tido», disse Ber­nar­dino So­ares, pre­si­dente da Câ­mara de Loures.

«Temos uma si­tu­ação po­lí­tica e local com uma com­ple­xi­dade muito grande, numa si­tu­ação que é talvez única a nível na­ci­onal, na his­tória do Poder Local. Na Câ­mara, a CDU tem pela pri­meira vez com quatro ve­re­a­dores uma mai­oria que não é ab­so­luta, na As­sem­bleia Mu­ni­cipal uma mai­oria de outro par­tido e juntas de fre­guesia com mai­oria de ou­tros par­tidos», disse, ape­lando à prá­tica de todos «fis­ca­li­zarem as fre­gue­sias que não são da CDU para que te­nhamos a cer­teza que o di­nheiro que a Câ­mara para lá manda», e que está de­vi­da­mente pro­to­co­lado e as­su­mido com cada exe­cu­tivo, «é em­pregue a favor da po­pu­lação e a re­solver os pro­blemas do nosso ter­ri­tório».

Esse «pro­to­colo de des­cen­tra­li­zação» para as fre­gue­sias é «o maior e mais im­por­tante do País, que trans­fere meios para mais pró­ximo das pes­soas, au­menta-lhes as com­pe­tên­cias e o di­nheiro para as exercer, ao con­trário do que o Go­verno faz». Du­rante este man­dato, todos os anos, vão ser pas­sados 12 mi­lhões de euros para as fre­gue­sias, to­ta­li­zando no final mais de 50 mi­lhões, que é mais de 10 por cento do or­ça­mento do mu­ni­cípio, acres­centou.

Com «muito tra­balho em curso e muito tra­balho por fazer», Ber­nar­dino So­ares des­tacou os in­ves­ti­mentos, a re­no­vação das redes de água, da ha­bi­tação so­cial, das es­colas, entre muitas obras tor­nadas pos­sí­veis «porque no man­dato pas­sado» a CDU de­cidiu «re­cu­perar a ca­pa­ci­dade fi­nan­ceira da Câ­mara». O su­cesso marca a cam­panha Aqui podia haver Metro, uma exi­gência an­tiga da po­pu­lação e das or­ga­ni­za­ções lo­cais do PCP, e a ini­ci­a­tiva Mais perto de si, co­lo­cando «os ser­viços e trans­fe­rindo o pre­si­dente e os ve­re­a­dores para as fre­gue­sias», onde con­tactam per­ma­nente e di­rec­ta­mente com forças vivas e po­pu­lação.

País e povo: ra­zões
para for­ta­lecer o Par­tido

Je­ró­nimo de Sousa, Se­cre­tário-geral do Par­tido, afirmou que «não caíram do céu as me­didas de re­cu­pe­ração de di­reitos e ren­di­mentos que têm vindo a ser con­cre­ti­zadas», antes são «fruto da acção e da luta dos tra­ba­lha­dores e do povo e, em grande me­dida, da ini­ci­a­tiva e acção do PCP». Este, su­bli­nhou, tem novas pro­postas a apre­sentar na As­sem­bleia da Re­pú­blica, en­qua­dradas «na po­lí­tica al­ter­na­tiva, pa­trió­tica e de es­querda», que de­fende para o País.

«Por­tugal não tem ainda a po­lí­tica que pre­cisa para ul­tra­passar os pro­blemas es­tru­tu­rais que se mantêm e agravam à me­dida que ca­recem de res­posta», re­alçou o di­ri­gente co­mu­nista. Assim é, ga­rantiu, mesmo que tenha sido «tra­vada a ofen­siva contra os di­reitos dos tra­ba­lha­dores e do povo», im­ple­men­tada «com a po­lí­tica dos PEC e do Pacto de Agressão da troika», ainda que tenha sido «pos­sível dar res­posta a al­guns dos pro­blemas mais ime­di­atos dos tra­ba­lha­dores e do povo» e re­ver­tida a pri­va­ti­zação dos trans­portes pú­blicos.

«Nestes quase três anos que nos se­param do dia em que se der­rotou o go­verno re­van­chista e re­tró­grado do PSD e CDS e como re­sul­tado das lutas e da in­ter­venção do nosso povo e do PCP», deram-se passos, mas ainda «estão longe das so­lu­ções de uma ver­da­deira po­lí­tica al­ter­na­tiva», cada dia mais ne­ces­sária pe­rante as op­ções po­lí­ticas de um Go­verno que «não dá res­posta aos pro­blemas fun­da­men­tais do País». Se­gundo Je­ró­nimo de Sousa, essa au­sência, «con­tinua a marcar a vida do País» adi­ando a «res­posta ao grave dé­fice pro­du­tivo na­ci­onal», que «é causa pri­meira e mais subs­tan­cial do nosso en­di­vi­da­mento e da nossa cres­cente de­pen­dência do ex­te­rior» ao nível dos «bens ali­men­tares que po­de­ríamos pro­duzir», e in­dus­triais, «que tão bem sa­bíamos fazer, in­cluindo com­boios que hoje não temos e até vidro plano que não muito longe daqui, na Co­vina, se fazia e agora im­por­tamos.»

Con­tra­di­ções

Cri­ti­cando a po­lí­tica de con­tra­di­ções do PS, «num tempo em que ou­vimos dizer que não há di­nheiro para in­vestir no de­sen­vol­vi­mento do País, para me­lhorar ser­viços pú­blicos, repor di­reitos e ren­di­mentos usur­pados», o Se­cre­tário-geral do Par­tido lem­brou que tem ha­vido verbas para sa­tis­fazer a de­pen­dência da eco­nomia na­ci­onal face ao grande ca­pital, «so­bre­tudo es­tran­geiro», que leva a uma per­ma­nente «san­gria de re­cursos cada vez mais pre­o­cu­pante» cuja «conta já está muito pró­xima dos cem mil mi­lhões de euros».

O Go­verno re­plica, assim, o acon­te­cido em 2017: se aos «di­vi­dendos dis­tri­buídos de 5552 mi­lhões» jun­tarmos «os juros da dí­vida das res­pec­tivas em­presas, são 10.827 mi­lhões». Se a isto adi­ci­o­narmos os 35 mil mi­lhões de juros de dí­vida pú­blica pre­vistos para os pró­ximos cinco anos, fica-se com uma noção mais fiel de «quão im­pe­rioso é pro­curar outro ca­minho».

Com con­fi­ança, con­cluiu, apon­tamos o ca­minho al­ter­na­tivo para dar sen­tido à so­ci­e­dade con­sa­grada na Cons­ti­tuição e romper com as «im­po­si­ções da União Eu­ro­peia» e as op­ções de «quatro dé­cadas de po­lí­tica de di­reita».




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