Em luta
Diziam (e ainda dizem) as más línguas que a luta já não é o que era, que os trabalhadores não se mobilizam, que os jovens não querem saber, que anda tudo adormecido.
E de uma penada, os mesmos que o afirmam, abrem com parangonas e, de novo, com os seus habituais comentários de pena e comiseração com os probrezinhos dos utentes que são uns prejudicados pela intransigência dos trabalhadores grevistas.
De repente, multiplicam-se em directos, em grandes reportagens, em avaliações de peritos e comentadores, cada um com sua tonalidade e sua matiz, com as suas formas de dizer as mesmas coisas e convergindo entre si num ponto fundamental.
Todos eles desvalorizam a luta de massas no valor intrínseco que tem, enquanto condição fundamental para a conquista de direitos e para avanços civilizacionais e enquanto esteio para a emancipação social dos trabalhadores.
Nenhum deles reconhece que é essa força que, nas últimas semanas, se manifesta na ferrovia, nos transportes, na aviação, no sector do táxi, na educação, na função pública, na saúde, na grande distribuição, nas forças de segurança, na hotelaria.
Nenhum deles quer que se saiba, por exemplo, que, como o Avante! noticiou, foi pela luta que os trabalhadores da Bimbo garantiram os seus direitos, designadamente o pagamento das horas extraordinárias de acordo com o Contrato Colectivo de Trabalho.
Mas, mais importante, nenhum deles quer que os trabalhadores e o povo português se lembrem que foi com a luta que derrotámos um percurso de desastre assente numa maioria parlamentar apostada em fazer andar para trás direitos arduamente conquistados.
O que lhes custa é que, em Portugal, há forças que não desistem e apontam, todos os dias, o caminho da mobilização e da luta, como de novo acontecerá nomeadamente a 8 de Novembro na Concentração de Delegações de Agricultores e Dirigentes Associativos, promovida pela CNA e na Manifestação Nacional promovida pela CGTP-IN, a 15 de Novembro.