CESP mobiliza para a greve na grande distribuição

EXPLORAÇÃO As cadeias de super e hipermercados e lojas especializadas têm lucros milionários, mas exigem pagar menos pelo trabalho suplementar para negociarem melhores salários e condições laborais.

Durante a greve de dia 12 há um protesto frente à sede da APED

Para a próxima quarta-feira, 12 de Setembro, o Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN) convocou greve em todo o sector da grande distribuição. Em Lisboa, ao final da manhã, vai ter lugar uma concentração frente à sede da associação patronal do sector (APED), no n.º 23 da Rua Alexandre Herculano.

O sindicato, num folheto em distribuição aos trabalhadores do sector, considera «uma vergonha» que Continente, Pingo Doce, Jumbo, FNAC, DIA (Minipreço), El Corte Inglés e Lidl exijam a redução do valor pago pelo trabalho suplementar para aumentarem os salários de todos os trabalhadores, sabendo-se que neste sector foram registados lucros de mais de 400 milhões de euros, só em 2015 e 2016.

Às empresas e à APED, o sindicato e os trabalhadores exigem a efectiva negociação do contrato colectivo de trabalho – que se arrasta desde 2016, como é referido num outro folheto, dirigido aos clientes –, de modo a contemplar aumentos salariais, sem qualquer contrapartida. O CESP afirma que os salários dos trabalhadores, de valores muito baixos, perderam mais de 10 por cento, desde 2010, considerando apenas a taxa de inflação e os aumentos dos preços dos bens de primeira necessidade.

Entre as reivindicações, o sindicato destaca ainda o fim da Tabela B (com salários mais baixos) e a aplicação generalizada da Tabela A (que hoje vigora apenas nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal) e a correcção da injustiça na carreira profissional dos operadores de armazém (os quais têm o mínimo nacional como salário de topo de carreira, mesmo ao fim de 10 ou 20 anos de serviço).
Estas exigências, a par de reivindicações locais, têm sido colocadas directamente às empresas, com lutas que ganham expressão pública, designadamente sob a forma de concentrações à porta de estabelecimentos e sedes. Assim sucedeu no dia 31 de Agosto, na principal entrada do centro comercial El Corte Inglés, em Lisboa, e no dia 28, no Pingo Doce, em Sassoeiros (Cascais) e no Continente, em Alfragide (Amadora).

O CESP publicou edições da sua «folha sindical» dirigidas aos trabalhadores dos grupos com mais responsabilidade na APED: Pingo Doce (presidente), Auchan e Modelo Continente (vice-presidentes).

Na cadeia do Grupo Jerónimo Martins, o sindicato denuncia a «brutal exploração» a que os trabalhadores são submetidos. O CESP recorda que, «com a luta, a empresa foi obrigada a proceder a aumentos salariais e a ter em consideração a antiguidade», tal como teve de corrigir a carreira dos operadores de armazém, mas o Pingo Doce, «como é habitual, fê-lo de forma discriminatória».

Tal como este, o Grupo Auchan (Jumbo e Pão de Açúcar) é acusado de bloquear a negociação do contrato colectivo de trabalho (CCT), embora afirme que não, pois, «apesar da retoma económica e dos lucros publicitados, fez “actualizações salariais” de miséria à maioria dos trabalhadores e a outros não deu nada».

A situação dos operadores de armazém na Logística da Sonae (Modelo Continente) tem destaque nesta «folha sindical». A empresa nega que está a bloquear a negociação do CCT, «mas recusa-se a resolver o problema nos seus locais de trabalho, não cumprindo os compromissos» e paga os salários mais baixos do sector aos operadores de armazém (580 euros, por força do salário mínimo nacional e sem distinção de antiguidade).

 



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