Greve pelo AE encerrou balcões da CGD
LUTA A greve de dia 24 na Caixa Geral de Depósitos, contra a denúncia do acordo de empresa por parte da administração, afectou o funcionamento dos serviços do banco público em todo o País.
A administração pretende arrasar os direitos dos trabalhadores
«Muitas dezenas de agências estão encerradas, muitas outras dezenas estão abertas apenas com a gerência, sem efectuar operações e só para se dizer que estão abertas, outras ainda estão a funcionar com base em estagiários», informou o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo Caixa Geral de Depósitos (STEC) numa nota divulgada ao início da manhã do dia da greve.
Durante a paralisação, convocada também pelo Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira (Sintaf/CGTP-IN), realizou-se uma concentração em frente à sede da CGD em Lisboa.
A denúncia do AE, formalizada pela administração a 25 de Julho, foi considerada «uma declaração de guerra aos trabalhadores» pelo STEC. O sindicato ao anunciar a greve, no dia 2, explicou que a denúncia ocorreu depois de a administração protelar sucessivamente as negociações da revisão salarial.
A administração, alegando a necessidade de aproximar as condições laborais às que vigoram na banca privada, apresentou «uma proposta arrasadora», como base de negociação de um novo AE, pretendendo eliminar a carreira profissional, as anuidades, o prémio de antiguidade e um conjunto de categorias profissionais. Pretende ainda liberalizar horários e transferências, aumentar ainda mais a polivalência de funções e dificultar o acesso ao crédito à habitação.
A estas intenções acresce, como lembrou o STEC, que a CGD pretende apagar quatro anos na carreira profissional, corta o subsídio de almoço, pressiona para obter reformas antecipadas e rescisões, promove crescente assédio nos locais de trabalho, define objectivos «irrealistas» e muda-os a «meio do campeonato», penalizando quem não os cumpre, e faz recair sobre os trabalhadores das agências que têm encerrado a responsabilidade de «darem a cara» aos protestos dos clientes.
A Comissão de Trabalhadores, por seu turno, ao condenar a denúncia do AE, lembrou que ela acontece após oito anos de desrespeito pelos trabalhadores, de incumprimento dos seus direitos e sem aumentos salariais, num período em que, simultaneamente, a Caixa eliminou mais de dois mil postos de trabalho e cerca de 300 agências, reduzindo a sua capacidade de exercer a função de serviço bancário público.
A greve teve por objectivos a defesa e valorização do AE celebrado em 2006, a negociação urgente da tabela salarial proposta a 8 de Maio de 2018, a defesa de todos os postos de trabalho, da CGD como instrumento financeiro público ao serviço do País e do serviço público bancário em todo o território nacional, bem como a manutenção e reforço dos serviços sociais da CGD, de acordo com o pré-aviso de greve do Sintaf.
PCP solidário
A célula do PCP na CGD manifestou apoio à greve, criticando a política de destruição da administração de Paulo Macedo. Num comunicado aos trabalhadores, a anteceder a greve, esta acusação é concretizada em medidas como a redução do número de trabalhadores, o encerramento de agências, a contratação de quadros vindos da concorrência, a venda de património, o aumento das comissões cobradas aos clientes e a redução continuada da quota de mercado. Chama-se ainda a atenção para o desrespeito pelas carreiras (com anos congelados por considerar) e a ausência de actualização salarial.
Na concentração junto à sede, a deputada Paula Santos reafirmou a solidariedade do PCP para com esta luta.
Numa breve declaração considerou que «a denúncia do acordo de empresa é de facto um ataque ao direito dos trabalhadores», e informou que o PCP vai suscitar na AR uma discussão com o Governo, pois este «tem de dar orientações claras e tomar medidas para assegurar que, enquanto banco público, é um garante dos direitos dos trabalhadores». A actual situação na CGD, assinalou, é um resultado directo da submissão «às imposições por parte das instituições europeias».
«Precisamos de uma Caixa Geral de Depósitos forte, que não reduza a actividade, mas que tome medidas para aumentar essa actividade garantindo os direitos dos trabalhadores», sublinhou Paula Santos.