Conversa fiada

Manuel Rodrigues

O CDS pediu a antecipação da reunião da comissão permanente da Assembleia da República (AR), agendada para 6 de Setembro, já para esta semana, para que o Ministro dos Transportes prestasse esclarecimentos urgentes sobre a situação da ferrovia.

Invoca o CDS que a «situação é urgente e dramática para muitos portugueses», o que, de facto, é verdade. A situação é mesmo muito urgente e dramática: as populações vêem-se confrontadas com a degradação da ferrovia e do seu material circulante, suprimem-se comboios, reduz-se a oferta e, para cúmulo, é a própria empresa responsável a admitir e confirmar que 60% das vias férreas portuguesas têm um índice de desempenho medíocre ou mau.

Ora, sobre o desenvolvimento da ferrovia em Portugal, como bem lembrou Jerónimo de Sousa na sexta-feira, dia 24, em Grândola, «há muitos anos que o PCP vem denunciando, mas também propondo um conjunto de medidas para desenvolver a rede ferroviária nacional e impedir a sua degradação, contrariando as opções políticas seguidas por sucessivos governos do PS, PSD e CDS».

O Governo minoritário do PS é de facto co-responsável pela degradação da ferrovia. Mas o PSD e o CDS têm pesadas responsabilidades na matéria. Pode questionar-se: Onde estava o CDS quando foi destruída a Sorefame que, se se tivesse mantido na esfera pública, teria continuado a produzir material circulante para a ferrovia? Onde estava o CDS quando sucessivos governos (com a sua participação) assumiam uma orientação política de desmembramento da CP, de privatização e desinvestimento público no sector? Por que votou o CDS contra o Projecto de Resolução do PCP para o «Desenvolvimento de um plano nacional para o material circulante ferroviário»?

O que trama verdadeiramente o CDS é que, sendo a prática o critério da verdade, não há branqueamento que resista.




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