Só à Lambada
Os liberais pró-privatizações voltaram ao ataque. Muito por culpa do governo, que diz uma coisa e faz o seu contrário, que diz defender os serviços públicos e depois corta trabalhadores e investimentos enquanto continua a alimentar todos os parasitas (com o dinheiro que eles depois usam para comprar e promover os papagaios que defendem que lhes seja entregue o que ainda não foi).
Repetem, incansáveis, a mitologia neoliberal, que nunca passou de uma mitologia, mas está agora de tal forma desmentida pelo realidade que a sua repetição deveria ser vista como cómica.
É por isso que a melhor receita para combater esta ofensiva são umas lambadas de realidade. Ah com os privados fica mais barato? Toma lá uma EDP nas fuças que é para ver se aprendes! Como? Os privados gerem melhor que o público? Uns CTT pelas ventas, e pode ser que abras os olhos! Ainda não percebeste? Toma lá com a ANA, e com a GALP, e com a PT. Ainda não te chegou? Junta lá esses neurónios, e tenta recordar-te de quando a banca era pública, os lucros ficavam no Estado e tu não pagavas comissão até por respirar o ar nas (cada vez menos) agências. E assim o tempo que for preciso.
A única coisa (e não é coisa pequena) que facilita a vida destes papagaios do neoliberalismo é que tantas empresas públicas são geridas por quem as pretende privatizar.
O ataque em curso contra a CP tem origem no facto de o grande capital se querer apropriar dos serviços rentáveis da empresa – o Longo Curso e os Urbanos de Lisboa e Porto. Mas foi a acção dos sucessivos governos da política de direita, incluindo do actual, que lhes deu os argumentos para a campanha (só um exemplo, por falta de espaço: o Metro Sul do Tejo, de gestão privada, recebe mais Indemnizações Compensatórias que toda a CP).
É que não basta desejar melhores serviços públicos ou o controlo público dos sectores estratégicos. É preciso um Estado que queira e seja capaz de o fazer. Tal como aponta o programa do PCP.