Venezuela

Albano Nunes

Guerra económica visa estrangular a economia venezuelana

No dia 20 de Agosto o governo de Nicolás Maduro anunciou a entrada em circulação no país de uma nova moeda, o Bolívar Soberano, e a adopção de outras importantes medidas que vinham sendo discutidas, destinadas a enfrentar a grave situação económica e social em que a crise do modelo capitalista rentista herdado do passado e a guerra económica desencadeada pelos EUA, mergulharam a Venezuela.

As expectativas em relação ao resultado de tais medidas – que envolveriam também acções contra a sabotagem e a corrupção, a reestruturação da PDVSA e do sector empresarial do Estado, incentivos ao investimento e outras – são muito altas. A situação social, com uma inflação galopante, brutal deterioração do poder de compra, penúria alimentar, problemas nos transportes e no abastecimento de água e electricidade – tornaram extraordinariamente duro o quotidiano do povo venezuelano.

E no entanto, e isso senti-o pessoalmente em Caracas, respira-se um ambiente de disciplina cívica, diria de paciência, compreensão e de esperança numa recuperação económica que agora, com as medidas anunciadas necessita de ser correspondida.

Tal não será porém tarefa fácil. A economia enfrenta estrangulamentos muito sérios, inclusive a nível da produção petrolífera, a principal fonte de divisas. Criticam-se fenómenos de desleixo, compadrio e corrupção e no seu IV Congresso o PSUV apontou mesmo a necessidade de criar uma «nova ética patriótica». Os grandes grupos económicos e a banca (na sua maioria privada) resistem e sabotam medidas favoráveis ao processo bolivariano como já está a acontecer em relação às medidas agora anunciadas. E, sobretudo, há a criminosa guerra económica desencadeada por Obama ao apontar a Venezuela como «ameaça inusual e extraordinária para a segurança nacional» dos EUA. Uma guerra que a administração Trump prossegue e intensifica, procurando estrangular a economia venezuelana e promovendo a acção subversiva e terrorista do grande capital e da reacção interna. É nesta estratégia, em que os EUA estão a apostar por todo o mundo, que se insere o recente atentado contra a vida de Nicolás Maduro. O imperialismo norte-americano não recua perante nenhum crime para atingir os seus objectivos, sabe bem que em certas circunstâncias históricas o papel do líder pode ser decisivo, e o assassinato banditesco (tentado dezenas de vezes contra Fidel) é de há muito uma das suas armas preferidas.

Entretanto há fortes motivos de confiança na capacidade de resistência do processo bolivariano e em que, com a solidariedade dos seus amigos, as forças revolucionárias e patrióticas derrotarão uma conspiração que, atingindo a Venezuela atinge toda a América Latina no propósito de reverter as conquistas democráticas e de soberania que nas últimas décadas percorreram o continente. A eleição da Assembleia Nacional Constituinte que pôs termo à onda de vandalismo contra-revolucionário em que perderam a vida muitos venezuelanos, e a vitória de Nicolás Maduro nas eleições presidenciais de 20 de Maio das quais a oposição saiu dividida, mostram que é possível resistir e vencer.




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