Ave América
«Chegou a altura de escrever o próximo capítulo da história das nossas Forças Armadas, de nos prepararmos para o próximo campo de batalha, onde os melhores e os mais corajosos americanos serão chamados a combater e vencer uma nova vaga de ameaças contra o nosso povo e a nossa nação. Chegou a hora de criar a Força do Espaço dos Estados Unidos». As palavras são do vice-presidente norte-americano, Mike Pence, citado pela Lusa, e foram proferidas há uma semana num discurso aos militares no Pentágono.
Na ocasião, Pence disse já estarem em curso os preparativos para a criação daquele que será o sexto ramo das Forças Armadas dos EUA, que deverá estar operacional em 2020 e para o qual a administração Trump vai pedir ao Congresso a aprovação de um orçamento suplementar de oito mil milhões de dólares para os próximos cinco anos.
Era de esperar que tão bombásticas declarações, prenúncio de uma nova escalada armamentista e mais uma séria ameaça à paz mundial, suscitassem algum interesse dos media e, no mínimo, um ou outro comentário dos fazedores de opinião de serviço. Qual quê! Entretida com reportagens e debates intermináveis sobre o fogo de Monchique, em que a exploração da tragédia sacrificou o dever de informar de forma responsável, a generalidade dos órgãos de comunicação social ignorou olimpicamente esta declaração de guerra dos EUA, tal como há dois meses havia ignorado a declaração de Trump quando ordenou a criação da Força do Espaço. «Para defender a América, uma simples presença no espaço não é suficiente, temos que dominar o espaço», disse o presidente dos EUA, essa «grande democracia» tão enaltecida por cá.
Por este andar, um dia destes ainda nos começam a apresentar os noticários com um «ave, América, morituri te salutant».