Falta em profissionais o que sobra em dedicação
Carência crónica de recursos humanos, transversal a todas as categorias de profissionais dos serviços de saúde, é esta a maior dificuldade com que se depara o Hospital do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém. Faltam 300 profissionais no mapa de pessoal, o mapa médico está ocupado apenas em 50 por cento, e não obstante é a unidade do País que tem o maior número de prestadores de serviço (para assegurar o serviço de urgências, por exemplo, vê-se obrigado a contratar cerca de 70% dos médicos). A nível de enfermagem os constrangimentos são muitos, contas feitas deviam estar ao serviço mais 60 enfermeiros.
Se tudo isto é um obstáculo à capacitação de resposta de qualquer unidade de saúde, no caso concreto deste hospital – cuja área de influência abrange 97 mil residentes – o problema agrava-se dado que serve ainda todo o pessoal do enorme complexo industrial existente na região. A que se junta – e este é outro aspecto não menos problemático –, o facto de «estar perto do eixo viário que tem a mais alta taxa de sinistralidade do País» (IC1), como referiu em declarações aos jornalistas a directora clínica daquela unidade, Alda Pinto, no final da reunião e visita da delegação do PCP.
Desadequação do quadro de pessoal face às necessidades que assume uma especial gravidade dado que estamos a falar de uma região onde as dificuldades de mobilidade da população são enormes, não têm condições para se deslocar, necessitam de resposta pública do SNS, seja no plano hospitalar seja no plano dos cuidados de saúde primários.
Tudo somado – e este foi um dos pontos realçados no final pelo líder parlamentar comunista –, esta realidade «preocupante e dramática» só comprova que há «problemas acumulados no SNS a que o Governo não tem conseguido dar resposta, nem feito a opção para os resolver».
Problemas, na perspectiva dos comunistas, que são «estruturais», como é a falta de profissionais que, por sua vez, origina outros, como o «desgaste, a acumulação de trabalho». Desgaste, foi ainda João Oliveira a sublinhá-lo, que gera problemas de absentismo, indissociáveis de «problemas de excesso de presentismo», ou seja, a situação em que os profissionais são obrigados a fazer um horário e meio, dois horários de trabalho, porque falta um colega.
Daí que seja com preocupação que o PCP vê a ausência de medidas do Governo para resolver este problema, só ultrapassável com a contratação dos profissionais necessários, médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, assistentes operacionais.
«É preciso que o Governo faça opções, resolvendo os problemas do SNS, assumindo-as como prioridades e não as metas do défice ou os constrangimentos que nos são impostos pela União Europeia, nomeadamente em relação à contratação de pessoal», reclamou João Oliveira, sintetizando a grande mensagem a reter desta visita ao Hospital do Litoral Alentejano.