Unidos e em greve na Tegopi por aumentos salariais e justiça
REIVINDICAÇÃO A greve de uma hora por turno começou no dia 11, depois de a administração da Tegopi ter proposto um valor insuficiente de actualização salarial, sem eliminar discriminações.
Para funções semelhantes, subsistem salários muito distintos
Convocada pelo SITE Norte, sem prazo para terminar, a greve teve desde sexta-feira uma adesão elevada, que o sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN estimou em 70 por cento. Nessa tarde, trabalhadores em luta reuniram-se na entrada da empresa metalomecânica, com bandeiras e apitos, chamando a atenção para o protesto e os motivos deste. Concentrações semelhantes têm ocorrido também noutros horários.
Os trabalhadores exigem aumentos salariais dignos e respostas a outras matérias do caderno reivindicativo. A disparidade de salários pagos a trabalhadores com as mesmas funções é uma questão muito sentida e para a qual são reivindicadas medidas que, partindo do cumprimento dos compromissos conseguidos há cerca de um ano, permitam que os salários mais baixos tenham aumentos maiores. O SITE Norte propõe à empresa 50 euros, para quem aufere até 850 euros, e 20 euros para remunerações superiores a este valor.
No final de Maio de 2017, após uma prolongada série de greves com contornos semelhantes aos que a luta agora assume, foi conseguida uma alteração substancial dos salários-base, ficando o mínimo em 600 euros. Nessa altura, o sindicato tinha alertado que persistiam desigualdades, referindo injustiças no sistema de avaliação de desempenho.
O recurso à greve estava suspenso desde 17 de Abril, devido ao compromisso patronal de negociação de aumentos salariais. Os trabalhadores consideraram insuficiente a proposta de dois por cento e reafirmaram a necessidade de avançar na eliminação das disparidades remuneratórias. A greve vai prosseguir até que a administração formalize uma proposta aceitável.
Uma delegação do PCP (Direcção da Organização Regional do Porto e Comissão Concelhia de Vila Nova de Gaia) foi no dia 11 expressar solidariedade aos trabalhadores, saudando a sua luta e valorizando muito a resistência e a unidade.
A metalomecânica Tegopi, do Grupo Quintas & Quintas, instalada há seis décadas em Vilar do Paraíso, tem cerca de 300 trabalhadores. Actualmente na sua produção predominam os equipamentos para geração de energia eólica.
Persistência na Preh
Os trabalhadores da Preh Portugal, na Trofa, cumprem hoje o terceiro dia de greves parciais, com concentração junto aos portões da filial da multinacional alemã de componentes electrónicos. As greves, decididas em plenários e convocadas pelo SITE Norte, tiveram lugar nos dias 3, 5 e 10. O calendário de luta abrange ainda o dia 19, sábado.
Os trabalhadores (mulheres, na maioria) batem-se desde Março pela redução do horário de trabalho, incluindo o fim da laboração obrigatória aos sábados. A gerência agudizou o conflito ao propor que dois sábados por mês, com cinco horas de trabalho, passassem a um único, com uma jornada de dez horas.
No caderno reivindicativo constam ainda aumentos salariais, o fim da precariedade ilegal e o pagamento do complemento nocturno (das 20 às 22 horas) também ao pessoal do segundo turno.