Debate quinzenal com o primeiro-ministro

O regresso da obsessão do défice?

Alvo da crítica de Jerónimo de Sousa foi ainda a opção que leva o Governo a reduzir o nível do défice para lá do que ele próprio definiu em detrimento da resposta a problemas candentes. «Ficámos a saber a semana passada que em 2017 o Governo teve uma situação orçamental melhor do que tinha previsto e que, em vez de a utilizar para resolver problemas urgentes do País, utilizou-a para reduzir o nível do défice ainda mais do que já tinha decidido reduzir», assinalou o líder comunista, reprovando que o Executivo, «em vez de resolver os problemas graves que continuam a existir nos serviços públicos», tenha decidido «levar ainda mais longe a obsessão com a redução do défice».

Problemas que identificou apontando a falta de profissionais e de meios na saúde, na educação, na Justiça, nas forças e serviços de segurança, bem como o magro investimento público que impede a recuperação de «barcos, comboios, salas de operações, instalações de escolas ou universidades».

Ao Secretário-geral do PCP não escaparam, aliás, os mais recentes desenvolvimentos em torno do apoio às Artes e ao Novo Banco, encontrando neles um padrão que, infelizmente, não é novo: «continua a faltar dinheiro para muita coisa, para a banca é que nunca falta».

«Não tivemos o resultado orçamental do ano passado à custa do que quer que seja. Tivemo-lo apesar de ter havido um aumento de 25% de investimento, de 5 % no conjunto da despesa com a saúde, da introdução das 35 horas, de termos acabado com a sobretaxa, reposto integralmente os salários e pensões, de ter pago um suplemento de pensão em Agosto – aliás, por proposta do PCP –, e foi apesar de todo esse esforço que tivemos aquele resultado orçamental», respondeu o primeiro-ministro, insistindo que o Governo não andou a «fazer cortes para ter aquele resultado orçamental» e que este foi possível graças ao «crescimento da economia».

Crescimento, prosseguiu, que fica a dever-se à «mudança de política que introduzimos em conjunto há dois anos, que devolveu confiança aos portugueses», concluindo ser essa a base da «trajectória orçamental» em curso, «não feita à custa de cortes e aumento de impostos mas de boa gestão económica e revertendo os cortes e aumentos que tinham sido impostos pela maioria de direita».

«É esse o caminho que em conjunto temos de prosseguir», rematou, sem contudo explicar por que raio umas décimas do défice têm primazia sobre a vida dos portugueses.




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