Facebook, escândalo e hipocrisia
É bem mais evidente a importância da comunicação via Internet do que o controlo global e a perversidade a que está sujeita pelo capital transnacional. Neste sentido, importa a consciência do «escâdalo» da mega utilização de dados de milhões de eleitores dos USA, vendidos pelo Facebook – com que o CEO Zuckerberg quer «mudar o mundo» –, à Cambridge Analytica, multinacional de «engenharia social», e que transformaram em alvo de manipulação e fixação de voto os indecisos que elegeram Trump (com menos votos do que Clinton).
A denúncia destes factos pelos media do sistema é de um cinismo gritante, porque visa a mera cosmética para que tudo fique na mesma, e oculta o que se passou na eleição de Obama em 2008 e noutras situações. Não há que estranhar – o negócio é esmagador, envolve quatro mil milhões de utilizadores da NET e dois mil e cem milhões do Facebook, neste caso os lucros foram de treze mil milhões de euros em 2017, com publicidade e manipulação de dados. Imagine-se a dimensão do poder e manipulação das empresas de Silicon Valley – Microsoft, Google, You Tube, Twitter, Facebook, etc. – em sintonia com a NSA, Agência de espionagem e conspiração electrónica mundial dos USA.
O que resulta é uma «democracia» vazia de conteúdos, capturada e manipulada pelo capital financeiro, demonstrando como a alienação é intrínseca ao capitalismo e esclarecendo a urgência e inevitabilidade da sua superação revolucionária.
Em Portugal, é este o quadro em que se apoia a ofensiva ideológica anticomunista e contra a democracia de Abril, que exige a luta organizada e a resposta do Partido no plano da informação, incluindo nas comunicações electrónicas, a defesa de uma Internet livre do poder do grande capital e um País soberano.