Passa-culpas não resolve os problemas da floresta
A limpeza dos matos é uma tarefa fundamental que urge garantir, mas não haverá verdadeira solução para os problemas da floresta enquanto não se proceder ao seu «ordenamento e articulação com a promoção da agricultura familiar, da pecuária, do planeamento, da programação dos apoios indispensáveis».
A advertência foi deixada no debate quinzenal pelo Secretário-geral ao abordar o tema das medidas de prevenção contra os incêndios que preencheu a intervenção inicial do primeiro-ministro, a quem transmitiu a que ponto é importante não só «limpar e mobilizar todos os esforços» como «garantir os meios para o cumprimento dessa obrigação».
António Costa defendera que a limpeza dos matos constitui um «passo fundamental para uma floresta mais resiliente e resistente ao risco de incêndio», tendo feito um apelo a uma «mobilização nacional para esta causa».
Jerónimo de Sousa anotou porém que «seria bom que chegássemos ao Verão todos a saber o que é que faz cada um», e insistiu que os problemas não se resolvem com operações de «desresponsabilização e passa-culpas, nomeadamente para as autarquias», como a que o Governo pôs em marcha a partir dos incêndios de Outubro de 2017.
Sem a resolução dos problemas estruturais não haverá «diminuição dos riscos de incêndio», foi a ideia-chave que perpassou a resposta do chefe do Governo ao líder comunista, pondo assim o enfoque na importância de «revitalizar o interior» e «ordenar a floresta». Sem esses pressupostos estarem cumpridos não haverá a desejada diminuição desses riscos, sustentou, «sobretudo num contexto em que as alterações climáticas» os agravaram a todos.
Disse ser essa a razão pela qual o Governo, ao mesmo tempo que «trabalha nas medidas de fundo, como a execução da reforma florestal, tem de trabalhar também no curto prazo para melhorar os mecanismos de prevenção e para melhorar os mecanismos de combate».
Adiantou, por outro lado, em resposta à questão suscitada por Jerónimo de Sousa sobre os apoios e montantes às operações de limpeza dirigida aos privados, que o Governo decidiu aumentar para 40 milhões a linha de financiamento (há uma outra de 50 milhões para as autarquias que tenham de substituir-se aos privados), informando que os bancos já se apresentaram a concurso e vão dispor desta «garantia mútua para financiar directamente aqueles que recorram ao financiamento».