Transformar o mundo

Manuel Rodrigues

Dados agora di­vul­gados, re­por­tando-se ao pe­ríodo entre 1996 e 2016, re­velam que 357 mi­lhões de cri­anças foram afec­tadas por con­flitos ar­mados (1 em cada 6 cri­anças foi ex­posta à vi­o­lência). Quase me­tade das cri­anças em risco – cerca de 165 mi­lhões – está em áreas de con­flito de «alta in­ten­si­dade» e é ex­posta ao que a ONU con­si­dera «graves vi­o­la­ções»: morte e mu­ti­la­ções, re­cru­ta­mento para com­bates, vi­o­lência se­xual, rapto, ata­ques a es­colas e hos­pi­tais, ne­gação ao acesso hu­ma­ni­tário. O nú­mero de cri­anças mortas ou mu­ti­ladas au­mentou 300% desde 2010. Mais de três mi­lhões (com menos de 5 anos) morrem sub­nu­tridas todos os anos e 152 mi­lhões estão su­jeitas a di­versas formas de tra­balho in­fantil.

São dados in­qui­e­tantes e re­ve­la­dores da ver­da­deira na­tu­reza ex­plo­ra­dora, opres­sora, agres­siva e pre­da­dora do ca­pi­ta­lismo e cons­ti­tuem contra ele um ver­da­deiro li­belo acu­sa­tório.

O ca­pi­ta­lismo, como ex­plicou K. Marx ao ana­lisar o seu modo de pro­dução, é por na­tu­reza ex­plo­rador. É essa ex­plo­ração e a in­ten­si­fi­cação da con­cen­tração e cen­tra­li­zação ca­pi­ta­listas que ex­plica que 82 por cento da ri­queza criada em 2017 fosse parar às mãos dos um por cento mais ricos do mundo ou que 42 pes­soas acu­mulem a mesma ri­queza que os cerca de 3,7 mil mi­lhões de pes­soas mais po­bres.

No seu poema «Elogio da Di­a­léc­tica», Brecht ques­tiona: «de quem de­pende que a opressão pros­siga? De nós. De quem de­pende que ela acabe? Também de nós.»

«A vida não des­mente antes com­prova a pers­pec­tiva apon­tada pelo Ma­ni­festo [do Par­tido] Co­mu­nista. Que, na época em que vi­vemos, o fu­turo não é do ca­pi­ta­lismo, mas do so­ci­a­lismo e do co­mu­nismo» – afirmou Álvaro Cu­nhal.

É a va­li­dade e ac­tu­a­li­dade desta afir­mação que es­tará pre­sente na Con­fe­rência co­me­mo­ra­tiva do II Cen­te­nário do nas­ci­mento de Karl Marx que o PCP vai re­a­lizar nos pró­ximos sá­bado e do­mingo na Voz do Ope­rário, sob o lema «II Cen­te­nário de Karl Marx. Le­gado, in­ter­venção e luta. Trans­formar o Mundo».

 



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