De Berlim a Palmela
O último sábado foi, para os trabalhadores da Autoeuropa, o primeiro sábado de trabalho obrigatório ao sábado por imposição da Administração. Durante estes seis meses de luta dos trabalhadores tudo serviu para os tentar chantagear e condicionar. Desde tentativas de divisão dos trabalhadores até ao papão da deslocalização, passando por uma campanha mediática de enormes dimensões, foram e estão a ser usados todos os meios disponíveis para atingir um fim: fazer os trabalhadores pensar que lutar não vale a pena e que a sua luta é perigosa para o País porque enfurece o todo poderoso «Deus» alemão. É a velha teoria do medo a tentar impedir o avanço da consciência de classe dos trabalhadores.
Mas ele há coisas do diabo… foi exactamente no momento em que a Administração da Autoeuropa impôs o trabalho obrigatório ao sábado, e em que Chora e a UGT se põem em campo para dar cobertura a essa imposição, que da Alemanha chegaram registos de grandes greves de 24 horas, convocadas pelos sindicatos, que paralisaram gigantes como a Airbus, a Daimler, a BMW ou a Bosch. A forte adesão, e a determinação dos sindicatos em prosseguir com mais greves caso o patronato não cedesse, fez com que as empresas fabricantes de carros fossem obrigadas a ir de encontro a uma boa parte das reivindicações dos trabalhadores aceitando um aumento salarial que no bolo global se aproxima dos 6% exigidos pelos trabalhadores, e, pasme-se, uma diminuição do horário de trabalho de 35 para 28 para os trabalhadores com filhos menores ou com familiares doentes ou idosos.
A greve terá «custado» cerca de 200 milhões de Euros a essas empresas. Contudo não temos registo de alguma declaração ou decisão de deslocalização dessas empregas. Pelo contrário, foram os próprios patrões a ter de reconhecer que, perante a força da luta, o acordo com os trabalhadores acabava com a incerteza. É que por mais «choras» que existam, lutar vale a pena!