Stalingrad

Manuel Gouveia

No dia 2 de Fevereiro passaram 75 anos da vitória soviética em Stalingrad. Soviética, sublinhe-se. A vitória de um povo nascido de uma revolução que reconheceu direitos sem precedentes a todas as nações do antigo império russo – muitas das quais ainda hoje utilizam a língua escrita criada com a revolução - e ao mesmo tempo criou um agente novo na história da humanidade, o povo soviético, multicultural e multinacional, unido na construção do mais belo sonho da humanidade: a sociedade livre da exploração do homem pelo homem.

No ano do bicentenário do nascimento de Marx, percebamos que o que venceu em Stalingrad foi também a velha Internacional, sonhada por milhões de oprimidos ao longo dos séculos, e que irromperia na história fundada por Marx e Engels. O Exército dos explorados, irmanados num sonho comum de emancipação e liberdade.

Para vencer em Stalingrad, os soviéticos lutaram e foram derrotados em Brest, numa luta sem esperança de vitória que custou a vida a todos os nossos que a travaram. Sofreram mil derrotas mais em 1941, noutras tantas Brest menos conhecidas mas não menos heróicas, no longo caminho para Moscovo, onde as hordas fascistas seriam finalmente travadas. Para vencer em Stalingrad, os soviéticos ergueram milhares de guerrilhas ao longo de toda a zona ocupada, transferiram fábricas milhares de quilómetros para o interior, transformaram milhões de operários e camponeses em soldados. Para vencer em Stalingrad, os comunistas ergueram guerrilhas heróicas por toda a Europa, que na Jugoslávia e na Grécia chegaram a derrotar militarmente os fascistas.

Em Stalingrad o pesadelo do Reich dos mil anos esfumou-se, e os povos da Europa receberam uma inesquecível mensagem de confiança e esperança que ainda hoje se reflecte na toponímia de todas as principais cidades do Continente – mesmo que os livros de história já tenham sido todos reescritos.

Honra eterna a Stalingrad e ao seu herói: o povo soviético!




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