Líderes catalães recorrem para a ONU
Os advogados de três dirigentes catalães presos em Espanha anunciaram, dia 1, em Londres, a apresentação de um recurso junto do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenção Arbitrária.
«A sua detenção pela Espanha constitui um insulto aos direitos humanos e destina-se a impedi-los de desempenharem o seu papel de representantes do povo catalão», declarou Ben Emmerson, citado pela agência de informação francesa AFP.
Este advogado representa os detidos Oriol Junqueras, ex-vice-presidente do governo regional, Jordi Sanchez e Jordi Cuixart, presidentes das associações independentistas Assembleia Nacional Catalã (ANC) e Omnium Cultural, respectivamente.
«Este processo não se destina a pedir à ONU que se pronuncie sobre a questão da independência da Catalunha, mas sim que a ONU reafirme que um governo não pode reprimir opositores políticos através de uma detenção arbitrária. Espanha deve libertar estes homens», acrescentou Ben Emmerson.
Os três independentistas detidos são acusados de delitos de rebelião, sedição e peculato no quadro da tentativa de secessão da Catalunha, que culminou, a 27 de Outubro, com a proclamação unilateral da República catalã.
Em resposta, o governo espanhol dissolveu o parlamento regional e destituiu o governo autónomo, convocando eleições em 21 de Dezembro, nas quais os partidos independentistas renovaram a maioria no parlamento.
O Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária faz parte do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas e é composto por peritos de todo o mundo. Tem como objectivo a realização de inquéritos sobre detenções arbitrárias, não sendo o resultado do seu trabalho vinculativo.