Na ex-Triumph a luta não vai parar

Assegurados que estão pela sua luta os direitos de protecção social às trabalhadoras da antiga Triumph, quer o acesso ao fundo de garantia salarial quer ao fundo de desemprego, por encontrar persistem soluções que assegurem os postos de trabalho e a continuidade da produção.

Essa é a exigência que está colocada e que a deputada comunista Rita Rato reiterou no Parlamento em debate de actualidade realizado no dia 24, assinalando que este é um problema que não se confina a Sacavém ou ao concelho de Loures, tem uma dimensão nacional, que reclama o «envolvimento do Governo».

É que está em causa não só a «defesa do emprego com direitos» como a «defesa do aparelho produtivo», pelo que não é aceitável que a empresa, após a sua venda à Gramax, «tenha sido visitada pelo ministro da Economia e vendida como um exemplo de sucesso de investimento estrangeiro e que as trabalhadoras não tenham tido por parte do Ministério da Economia uma resposta eficaz quanto a este processo», como referiu a parlamentar do PCP. A deputada lembrou ainda que «este é um processo fraudulento de insolvência, é a história de um desmantelamento premeditado de uma empresa e do ataque aos direitos dos trabalhadores».

Depois de acusar a empresa de «agir de má-fé» com as trabalhadoras e de as «abandonar», não deixou passar em claro o facto de a administração se recusar a «dar a cara» e de «pela calada da noite tentar roubar equipamentos da empresa que são a última garantia do pagamento e cumprimento dos direitos e créditos destas trabalhadoras».

Trabalhadoras que durante anos, «algumas há mais de 40», lembrou, «amassaram os lucros à antiga Triumph», última unidade na Europa, que chegou a ter 1100 trabalhadoras, 600 quando foi vendida e hoje cerca de 470.

No debate, o secretário de Estado Adjunto e do Comércio admitiu que o processo de venda da antiga Triumph não obteve o «sucesso desejado por todos» e asseverou que o Governo estava a agir, mobilizando equipas da Segurança Social e do Instituto de Emprego, com vista a assegurar os direitos dos trabalhadores da fábrica de têxteis.

Rita Rato insistiu porém na ideia de que «não se pode apresentar investimentos como casos de sucesso e não garantir o acompanhamento destas situações», como foi manifestamente o caso.




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