Bruxas e maldições
Esta época da mudança de ano é dada a bruxarias e maldições lançadas sobre o País e o povo. A isso se dedica, de facto e na escrita, a fauna de aventesmas da «magia negra», das perversidades na política e nas plataformas mediáticas dominantes. E é escassa a verdade que se consegue fazer ouvir para equilibrar a balança.
Sobre o extinto 2017, muitos são os feitiços para ocultar a realidade na opacidade dos grandes interesses. Que sim senhor, os resultados económico-sociais do País até são «assim-assim», mas isso resulta não da nova correlação de forças, com a iniciativa do PCP e um Governo minoritário PS, mas sim da política de governos anteriores, do PS, PSD e CDS, de roubo de direitos, desastre nacional e concentração da riqueza. Que isto até estava a correr bem, mas na segunda metade do ano o «Estado falhou», isto, é a «esquerda» (como eles dizem) é culpada dos incêndios (instrumentalizados à exaustão pelas pulhices da política de direita), e não foram as décadas de PS, PSD, CDS e UE, na agricultura, na floresta, nos serviços públicos, mais as debilidades do Governo PS, que trouxeram a tragédia.
Sobre 2018, são inúmeras as macumbas para fazer da abóbora das fraquezas do PSD e CDS a carruagem dourada do seu regresso ao poleiro. Que pois claro, o Centeno em Bruxelas (nome apropriado) vai fazer o tanglomanglo do regresso da troika, mãe de todas as feiticeiras, que é o que o povo mais quer. Que o «novo PSD», a cavalo numa vassoura de Belém e nas maldições de um feiticeiro da Lapa (Rio ou Santana), vai reverter a «dependência do PS à esquerda» e prendê-lo drasticamente e já, ao bloco central, como se os encantamentos afastassem o quadro político actual, a luta dos trabalhadores e do povo e a intervenção do PCP.
É verdade que neste País há bruxas a mais, poderosas e até dissimuladas, mas a confiança e a luta, que serão ainda mais fortes em 2018, e o reforço do PCP, porão fim à maldição da política de direita.