Mais luta em 2018 garantida nas greves
SALÁRIOS Nestes últimos dias ocorreram greves na grande distribuição comercial, na Somincor, na Petrogal, nos CTT, em call-centers. No novo ano, a CGTP-IN vai intensificar a luta nas empresas.
A luta dos trabalhadores é determinante para obter resultados
Lusa
Numa concentração frente à sede do Lidl. no Linhó (Sintra), no primeiro dia da greve nos super e hipermercados, 22 de Dezembro, o Secretário-geral da CGTP-IN reafirmou que o movimento sindical unitário vai empenhar-se na dinamização da acção reivindicativa nas empresas.
Tal como tinha feito, nessa mesma manhã, num plenário na Panpor, fábrica de produtos alimentares em Rio Maior, Arménio Carlos referiu como prioridades a revogação das normas gravosas da legislação laboral (como aquelas que foram introduzidas no Código do Trabalho para permitir a caducidade dos contratos colectivos, facilitar e embaratecer os despedimentos ou desregular os horários de trabalho), o aumento dos salários (assegurando um valor mínimo de 600 euros) e o combate efectivo à precariedade.
Embora valorizando a reposição de direitos e rendimentos nos últimos tempos, assinalou ser necessário que o Governo dê passos para concretizar em 2018 as afirmações de que o País não se desenvolve com baixos salários e trabalho precário.
Estes serão temas em discussão no plenário nacional de sindicatos, que o Conselho Nacional da confederação marcou para 12 de Janeiro.
As greves realizadas neste último terço de Dezembro mostraram que muitos trabalhadores estão a transformar em protesto e luta a justa aspiração a melhores condições de vida e de trabalho, ripostando ao ataque patronal.
No Linhó, Arménio Carlos criticou as empresas da distribuição, como o Lidl, a Sonae (Continente), a Jerónimo Martins (Pingo Doce) e o DIA (Minipreço e Clarel), que ostentam lucros elevados mas «cada vez são mais parcas a distribuir a riqueza», arrastando as negociações da contratação colectiva e mantendo os salários muito perto do mínimo nacional.
Na Panpor, igualmente de acordo com o relato da agência Lusa, o Secretário-geral da CGTP-IN destacou ser determinante a luta dos trabalhadores, para que os objectivos reivindicativos sejam alcançados. Nesta empresa foi decidido iniciar a 2 de Janeiro uma greve de meia hora por dia, para exigir que voltem a ser contados como tempo de trabalho os 30 minutos de intervalo para refeição. No caderno reivindicativo constam também aumentos salariais, regulação nos horários e melhorias no refeitório e nos balneários.
Das empresas para a APED
A negociação do contrato colectivo de trabalho do sector da distribuição, entre o CESP/CGTP-IN e a associação patronal APED, arrasta-se há 15 meses, pelo que os trabalhadores e o sindicato avançaram com reivindicações em cada empresa. A greve começou dia 22, nos entrepostos, armazéns e logísticas, alargando-se aos estabelecimentos comerciais nos dias 23 e 24.
Foram efectuadas concentrações junto às sedes da Sonae, na Maia, e do Lidl, e frente aos armazéns do DIA, na Zibreira (Torres Novas), e do Lidl, no Ribeirão (Vila Nova de Famalicão) e em Torres Novas. O sindicato comunicou ainda que funcionaram piquetes de greve noutros armazéns e em lojas e foram abrangidas pela luta as grandes marcas comerciais especializadas, como a Decathlon, El Corte Inglés, FNAC, Leroy Merlin e outras.
«Em todas as grandes cadeias de super e hipermercados a greve fez-se sentir, tendo mesmo encerrado dezenas de lojas» do Grupo DIA. Embora muito céptico quanto à eficácia da intervenção da Autoridade para as Condições do Trabalho, o sindicato alertou a ACT para actos patronais que violaram o direito à greve.
Na nota de imprensa a informar que a adesão tinha aumentado no dia 24, o CESP explicou que as empresas e a APED pretendem «reduzir a retribuição dos trabalhadores, baixando o valor do trabalho suplementar e do trabalho normal prestado em dia feriado», e «desregular os horários de trabalho». Já os trabalhadores «reivindicam o aumento dos salários, o fim da Tabela B (mais baixa e praticada em todos os distritos à excepção de Lisboa, Porto e Setúbal) e a correcção da carreira profissional dos operadores de armazém».
Quanto a esta última exigência, «as empresas remetem para a APED», que por sua vez «afirma não ter a aceitação das empresas para discutir a alteração das categorias dos operadores de armazém», como referiu a direcção regional do Porto, Vila Real e Bragança do CESP.
A Tabela B, criando uma diferença de 40 euros entre trabalhadores com a mesma categoria, constitui «um claro caso de discriminação» em função do distrito onde é exercido o trabalho, protestou Jorge Machado, deputado do PCP, que compareceu, no dia 22, na concentração frente à Sonae (onde por alguns momentos chegou a ser cortado o trânsito).