Prioridade à intervenção nas empresas

Gonçalo Oliveira (Membro da Comissão Política)

A organização do Partido nas empresas e locais de trabalho é essencial para um partido comunista, pois fixa a sua natureza de classe enquanto partido da classe operária e de todos os trabalhadores.

A organização do Partido é afectada pelo ambiente que a rodeia

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As empresas são o palco privilegiado da luta de classes: é nelas que se consegue as vitórias que geram direitos e que, por sua vez, transformam a sociedade; é lá que se dá passos em direcção a essas transformações mesmo quando as lutas são derrotadas; e é de lá, também, que têm origem quadros indispensáveis para o Partido.

Estas organizações sectoriais e células de empresa não existem fechadas sobre si próprias – interessadas apenas no seu pequeno universo. A organização do Partido é afectada pelo ambiente que a rodeia, pelas condições de vida dos trabalhadores, de acordo com a região em que se encontram e o momento concreto da situação política, económica e social que atravessam. É, pois, no quadro de uma intensa campanha ideológica, promovida por aqueles que nunca se conformaram com a solução política encontrada na sequência das últimas eleições legislativas, que os comunistas operam.

Essa ofensiva, em síntese, visa ilibar PSD e CDS das consequências de décadas de política de direita; desviar a atenção das questões essenciais da vida política nacional; corresponsabilizar o Partido pelos problemas que emanam das opções e compromissos do PS com o grande capital; desvalorizar a reposição e conquista de direitos alcançadas graças à intervenção do PCP e luta dos trabalhadores; e, ainda, introduzir clivagens entre trabalhadores do sector público e privado (e entre sectores da Administração Pública) usando, de forma oportunista, os seus legítimos interesses.

No meio da «confusão» gerada, muitos trabalhadores ficam sem saber a quem dirigir o seu protesto, pois desconhecem os responsáveis pelo seu sofrimento. Este fenómeno, obviamente, interessa ao capital, pois um trabalhador, mesmo quando perde de vista o seu papel na construção de uma sociedade mais justa, não deixa de ser explorado. Isso não muda.

E há algo mais que não muda, algo que a história comprova: quando a propriedade da riqueza se acumula em demasiado poucas mãos e quando a maioria não tem aquilo de que necessita, essa maioria irá tirar aquilo de que precisa a quem o tem e todas as tentativas para evitar que isso suceda só conseguirão fortalecer e organizar os oprimidos.

Confiança e persistência

Os nossos adversários conhecem estas lições da história, não as ignoram, mas são incapazes de proceder de maneira diferente, dadas as limitações do próprio capitalismo e as contradições insanáveis que encerra. Atrás da arrogância e megalomania dos «donos de Portugal» esconde-se o medo de que esteja próximo o dia em que os trabalhadores dirão novamente «Basta!».

Entretanto, a riqueza continua a acumular-se nos grandes grupos económicos e, apesar de todos os esforços do sistema capitalista, a revolta continua e cresce, pois as causas da revolta permanecem. É este o crime do capitalismo que denunciamos. É por isso que lutamos, enquanto militantes de um partido revolucionário, pelo socialismo e pelo comunismo.

O PCP tem, por isso, um papel indispensável a desempenhar no futuro do nosso País, através da ampliação da luta e da consciência de classe do povo português. Para que isso suceda precisamos de estar na vanguarda da luta e para tal precisamos de mais organização e intervenção nas empresas e locais de trabalho.

No comunicado de 3 de Outubro do Comité Central é salientada a importância do reforço do Partido e afirmada a necessidade de empreender um trabalho que dê concretização às orientações para o reforço do Partido decididas pelo XX Congresso, apontando, desde logo, a necessidade de uma acção de fortalecimento das organizações nas empresas e locais de trabalho.

Olhemos para o reforço da organização e intervenção do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho, como sendo a prioridade de cada um de nós. Com a confiança que nos caracteriza, com a persistência que nos define, com prioridade às empresas e locais de trabalho, vamos reforçar o Partido, unir e lutar – pelos valores de Abril no futuro de Portugal.




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